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terça-feira, 21 de março de 2017

1977-03-21 - GRANDE COMÍCIO - PCTP/MRPP

Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP)

GRANDE COMÍCIO
COM A PRESENÇA DO CAMARADA ARNALDO MATOS SECRETÁRIO GERAL DO P.C.T.P

UMA SOLUÇÃO OPERÁRIA PCTP PARA A CRISE
25 MARÇO/SEXTA/21H/PAV. DESPORTOS

Conhece hoje o nosso Pais, a mais profunda crise por que passou o capitalismo português após o 25 de Abril, e que tem como consequências imediatas para o Povo, a subida galopante do custo de vida, o aumento substancial do desemprego e o agravamento generalizado da fome e da miséria para as massas.
Face a esta grave situação, há duas soluções. Uma, e solução da burguesia, a solução dos monopólios e dos latifundiários, a solução de fascistas e social-fascistas, aquela que prevê, e começou já a decretar o aumento da exploração e da opressão sobre os trabalhadores. A outra, a solução proletária, a solução que assenta na luta contra os interesses e a política do grande capital, contra as medidas, decretos e leis anti-operárias e anti-populares, na luta contra os inimigos do Povo.
Os últimos 46 decretos congeminados nas reuniões clandestinas do Governo dito socialista do Dr. Soares constituem um ataque em grande escala, às conquistas que com duras lutas a classe operária e o Povo português alcançaram e representam uma verdadeira declaração de guerra às massas trabalhadoras da nossa Pátria, e tem como objectivo garantir ao capitalismo um meio de recuperar de forma segura a sua economia e de reforçar a sua ditadura de classe dominante.
Após terem, há três semanas atrás, prometido a pés juntos, que o escudo não seria desvalorizado, que os preços dos géneros de primeira necessidade não sofreriam aumento, que eles "socialistas" seriam os mais intransigentes defensores da Independência Nacional, hoje, aquilo que o Povo verifica e que não passava de demagogia e de promessas falsas toda essa conversa fiada dos ministros "socialistas", e que mais não visava que amolecer o terreno para as medidas que preparavam e decretaram já.
A desvalorização do escudo num valor que atinge já os 18%; a criação do "cabaz da fome", que não contendo a grande maioria dos produtos e géneros necessários à subsistência, abre na realidade as portas a um aumento geral dos bens imprescindíveis a alimentação que hoje atinge já os 40%; a assinatura dos decretos que garantem indemnizações ao capital estrangeiro e de salvaguarda dos interesses imperialistas no nosso País, são a prova evidente de que o Governo dito socialista, se anteriormente aparentava hesitar entre a Revolução e a contra-revolução, entre o Povo trabalhador e a reacção internacional, escolheu na realidade, e de forma clarividente, quem defender, que interesses representar, e hoje constitui um facto que está declaradamente contra o Povo, e ao serviço do imperialismo e do social-imperialismo.
Quanto aos restantes sectores da burguesia, tudo está de acordo quanto ao fundamental, e é assim que, por exemplo, o PPD e o CDS, partidos que representam no nosso País os interesses dos imperialismos, europeu e americano respectivamente dão o seu acordo expresso às presentes medidas, exigindo inclusive mais. É assim que o partido social-fascista procurando disfarçar a sua concordância, ensaia uma tímida e fingida "crítica", que visa quanto aos sectores e partidos da sua classe, consolidar o famigerado "pacto social", e partilhar o poder num governo de "maioria de esquerda", e no respeitante aos operários, procurar arregimentá-los na sua pretensa posição contra o governo, precisamente para forçar os restantes sectores ao negocio que vislumbra. É assim ainda que melhor se compreende o silêncio cúmplice a que se remete a U"DP"/P"C"P(R), e demais oportunistas, com a fidelidade canina ao social-fascismo, característica de toda a sua actuação.
Perante tal estado de coisas, a situação que se depara à classe operária e ao Povo, é uma situação excelente, neste preciso momento em que grandes lutas se avizinham.
É tempo dos operários e de todos os trabalhadores, que nutriram já ilusões quanto aos partidos da burguesia, reflectirem na sua própria experiência e perguntarem onde estão as promessas do governo dito socialista,e analisarem ao que conduziu a política de traição, a política de vender os operários e vender o País, seguida pelo partido revisionista do P"C"P.
Reflectirem e verificarem quem sempre esteve ao seu lado em luta contra a exploração e a opressão. Quem denunciou sempre na devida altura "os dias de salário para a nação", as "medidas de austeridade" - e agora, a sua presente reedição - sob a forma de "cabaz da fome" que todos os governos desde o I ao VI provisórios e o presente constitucional "ofereceram" ao Povo. Quem denunciou e se ergueu em luta contra tal política de procurar safar a crise às costas dos que trabalham. Aquele que sempre disse às massas que para saírem da crise só há uma solução e que essa e o programa de luta capaz de levar de vencida os desígnios de toda a burguesia exploradora e instaurar na nossa Pátria um Governo Popular, verdadeiramente representativo e defensor da classe operaria, dos camponeses e demais sectores democráticos da nossa sociedade. Qual foi esse Partido?
Esse Partido, o PARTIDO COMUNISTA DOS TRABALHADORES PORTUGUESES,o PCTP/MRPP, não foi compreendido na altura por uma relativamente vasta camada do Povo que nutria ilusões acerca dos programas, das políticas e da solução dos partidos burgueses, mas hoje, estão criadas as condições para que os trabalhadores das cidades e dos campos, tomando em mãos a experiência passada não voltem a embarcar em tais logros e se unam ao nosso Partido, à nossa política, à solução que preconizamos como única possível para a crise.
É neste contexto, tendo em consideração a gravidade da situação em que se vive, e a necessidade de que as massas se levantem, organizem e lutem, e a imperiosa e manifesta necessidade de conhecerem, compreenderem e se unirem em torno da solução operária para a crise, que o PARTIDO COMUNISTA DOS TRABALHADORES PORTUGUESES, cônscio da sua, responsabilidade política, como Partido de vanguarda, como Estado-Maior de combate da classe operária e do Povo, convoca para o DIA 25 DE MARÇO, SEXTA-FEIRA, ÀS 21 HORAS, NO PAVILHÃO DOS DESPORTOS em Lisboa, um Grande Comício de massas e para o qual conclama todos os operários e camponeses, todas as mulheres do nosso Povo, todos os trabalhadores, a juventude democrática e todo o Povo em geral a estar presente nesta fornada política de alcance inegável que terá como tema central - UMA SOLUÇÃO OPERÁRIA PARA A CRISE.

TODOS AO COMÍCIO DE 25 DE MARÇO!
CONTRA AS MEDIDAS ANTI-POPULARES DO GOVERNO!
VIVA O POVO!
VIVA O PARTIDO COMUNISTA DOS TRABALHADORES PORTUGUESES!

Lisboa, 21 de Março de 1977
COMSSÃO DE ORGANZAÇÃO DO COMITÉ DE 25 MARÇO

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