Translate

segunda-feira, 20 de março de 2017

1977-03-20 - SOBRE AS CONVERSAÇÕES COM O PCPml - OCMLP

UNIR OS COMUNISTAS! RECONSTITUIR O PARTIDO!
SOBRE AS CONVERSAÇÕES COM O PCPml

Realizaram-se até agora 3 reuniões de discussão entre delegações dos Comités Centrais da OCMLP e do PCPml.
Na primeira destas reuniões realizada em 17 de Fevereiro, foram discutidas as duas primeiras alíneas do ponto 1 da OT - A história do movimento m-l em Portugal desde 1967/68 - que se referiam às seguintes, questões: a II Conferência do CMLP e a formarão de ”O Comunista". Na discussão destes pontos, a OCMLP expôs as posições sobre estes pontos aprovadas na III Conferencia Nacional (de reorganização), tendo havido acordo entre as duas organizações.
Sobre a II Conferência do CMLP, a Conferência de Reorganização da OCMLP definiu que: "... a linha saída da II Conferência define a prioridade do trabalho comunista sobre o trabalho de frente, e o carácter central da tarefa de reconstrução do Partido; opõe as concepções espontaneístas do Partido a sair das massas, a concepção do Partido a surgir de um solido núcleo de comunistas; define que o Partido se constrói do topo para a base e define o Partido como o "destacamento organizado de vanguarda do proletariado.”
Sobre "O Comunista" a Conferência de, Reorganização da OCMLP definiu que "A pretexto do ataque ao desvio burocrático do grupo de Vilar, "O Comunista" passou a atacar a concepção justa leninista do Partido, a concepção de que o Partido e o destacamento organizado de vanguarda do proletariado, passando a defender outro desvio, de sinal contrario, espontaneísta e anti-partido. O anti-burocratismo passa a ser também a defesa do anti-formalismo, do ecletismo, da confusão, da indisciplina, do federalismo". Denunciou igualmente a oposição dos dirigentes de "O Comunista" a China e a Albânia e a sua não definição face a questão de Estaline que e o mesmo que oposição a este grande guia do proletariado mundial, a sua defesa de organizações aventureiristas, trotskystas e oportunistas internacionais e o seu profundo ódio ao Partidos e Organizações m-l, as suas concepções de que para fazer a Revolução não é preciso Partido, de que os Estatutos e Programa são invencionices burocráticas, a defesa encoberta do fapismo e os seus desvios guerrilheiristas.
Na segunda e terceira reuniões, realizadas a 3/3/77 e 10/3/77, passou-se à discussão das duas alíneas seguintes do ponto 1 da O.T.: a formação de "O Grito do Povo" e a constituição do PCPml.
A OCMLP começou por sublinhar bem que a criação de "O Grito do Povo" nada tem a ver com "O Comunista" como o PCPml sempre procurou fazer crer, apresentando o "GP" como um sector de "OC". Aliás, esta questão tinha já sido discutida aquando da elaboração da O.T. pois na sua proposta inicial o PCPml, partindo desta falsidade, pretendia apenas discutir a formação de "OC" e não a formação do "GP".
A OCMLP referiu igualmente que, embora o processo de fusão com "OC" tenha sido um processo oportunista porque não assentou na unidade em torno dos princípios, o "GP" lutou e demarcou-se das concepções oportunistas de "OC” por exemplo sobre o federalismo, a questão de Estaline, a posição face à República Popular da China, obrigando os seus dirigentes a recuar e a mostrar-se aparentemente de acordo.
Quanto à criação de "O Grito do Povo" a OCMLP defendeu a posição definida na Conferência de Reorganização:
"... devido a situação histórica em que surge o trabalho que deu ori­gem a Organização, no interior ele nasce contendo aspectos positivos e negativos, fundamentalmente desvios radicalistas, guerrilheiristas, isto como aspectos negativos, e uma demarcação clara com o revisionismo, uma defesa intransigente da China e de Estaline, como aspectos positivos". Destas concepções muito cedo se tornaram dominantes e determinantes as positivas..."
Ao contrario, o PCPml diz ter sido o "GP" uma organização da pequena-burguesia radical que nada teve a ver com o m-l, apontando para justificar esta sua posição a linha espontaneísta anti-partido defendida pelo "GPV dizendo que a defesa de Estaline, da China e do Presidente Mao era feita na perspectiva era que qualquer social-democrata pode ter admiração por estes guias do proletariado mundial e pelo maior país socialista do mundo, que o "GP" defendia o guerrilheirismo, que não era contra o revisionismo moderno e que praticava uma linha aventureira exemplificada na palavra de ordem de "Boicote às eleições burguesas” lançada pela Org. em 1973. Disseram ainda que isto acontecia numa altura em que já se tinha realizado a II Conferência da OCMLP e que hoje a posição da OCMLP em defender o passado m-l do “GP" era contraditória com a posição que tinha expressado face as conclusões da II Conferencia do CMLP.
Vejamos o que valem estes argumentos!
Antes de mais, o "GP" foi criado numa situação em que havia no interior do pais um total desconhecimento da actividade, desconhecimento que era fruto de este grupo não despender esforços no sentido da intervenção na luta de classes no interior do país, prática que continuou a ser seguida pelo PCPml e que hoje já não conseguem esconder, falando, como no Socorro Vermelho nº 6, de "abandono das tarefas por parte das estruturas do Partido no interior...” Da mesma forma, o CMLP e depois o PCPml nunca fizeram qualquer demarcação com "O Grito do Povo", nem nunca mexeram uma palha para contactar a nossa Organização, confundindo os esforços dos m-l para dirigir a luta da classe operária no interior do país, com os grupos oportunistas que criticavam.
Por outro lado, a defesa de Estaline e do Presidente Mao feitas pelo "GP" assemelha-se a admiração de qualquer social-democrata? Basta citar 2 passagens do GP nº 1 para que fique claro como isto é um disparate:
"Estaline, companheiro de armas de Lenine no partido bolchevista e na tomada do poder do proletariado, desenvolveu as teorias de Marx, Engels e Lenine e colocou a mercê da luta proletária as experiências mundiais de luta. Estaline foi o grande guia do proletariado na tarefa histórica de construir o socialismo num país extremamente atrasado e acossado por todos os lados pelas agressões e provocações dos imperialistas."
E:
"O pensamento Mao Tse-tung e o marxismo-leninismo da época actual. A direcção do Partido Comunista da China encabeçada pelo camarada Mao soube apontar o caminho do cerco das grandes metrópoles imperialistas pela libertação das colónias apressou a agonia do imperialismo e a tonada do poder, no próprio coração dos países capitalistas-imperialistas, pelo proletariado revolucionário."
Desde quando se viu um social-democrata a falar de Estaline e do Presidente Mao nestes termos!? E não se tratam de simples citações, pois durante os vários anos de actividade comunista o "GP" lutou com êxitos pela aplicação cada vez mais firme dos princípios do marxismo-leninismo-pensamento Mao Tse-tung a sua prática e à realidade concreta que se vivia em Portugal.
Quanto a demarcação com o revisionismo moderno, basta apenas citamos uma passagem de uma Circular de Agosto de 1970:
"A luta contra o revisionismo moderno... é uma luta inadiável... o seu desmascaramento é pois uma tarefa fundamental para a vitoria do povo. Os revisionistas representam um novo e particular campo do imperialismo.
A ponta de lança do social-imperialismo e do revisionismo e actualmente o grupo que dirige a URSS depois de 1956".
Quanto a defesa de posições guerrilheiristas, elas de facto estão patentes no GP nº 1, mas a luta contra este desvio foi travada de forma vitoriosa no seio da Organização e no GP nº 4 são expostas posições correctas e claras de combate ao guerrilheirismo:
"Dentro de uma linha proletária, a violência justa é a que se apoia na força do povo revolucionário, em defesa dos interesses da Revolução Popular. Essa violência do Povo contra a violência da burguesia exploradora terá que tomar necessariamente a forma da luta armada, pois só assim conseguiremos a vitoria, o fim da exploração e da opressão."
" A pequena-burguesia radical, consegue apenas lançar de vez enquanto ataques desesperados e ineficazes contra objectivos dispersos do inimigo, mas isso constitui apenas um dos aspectos da sua política de não confiar no Povo, pois sabe que não conseguirá levá-lo no seu caminho oportunista durante muito tempo. A acção armada de grupos de aventureiros descontentes com o governo... não traz qualquer benefício à luta do proletariado. Essas acções não são obras do Povo, nem são desejadas pelo Povo...”
Por fim, vamo-nos referir a acusação que o PCPml nos faz de avantureiristas por termos apelado ao "boicote activo as eleições burguesas” em 1973. Este ataque vem na sequência da defesa que o PCPml fez e ainda hoje faz da "teoria do refluxo" do movimento de massas no tempo do fascismo. Na ultima reunião, a delegação do PCPml não só defendeu esta reaccionária "teoria", como referiu que, no tempo do fascismo, podíamos falar, em termos nacionais, era do "fluxo da contra-revolução".
Não admira que chame "aventureiros" aos m-1 que se colocavam à frente da luta de massas, dando uma direcção proletária ao amplo movimento de massas que por todo o país despontava contra o fascismo, o colonialismo e a exploração capitalista, quem insulta provocatoriamente este movimento de "fluxo da contra-revolução", pretendendo assim justificar a sua posição burguesa, que foi sempre de não desenvolver esforços sérios para intervir na luta de classes em Portugal.
E aqui, e preciso também sublinhar que a III Conferência da OCMLP (de reorganização), embora tendo apoiado as conclusões da II Conferencia do CMLP, definiu igualmente que; a sombra dessa linha o oportunismo conquistou a direcção do CMLP e que "à custa da ostentação de princípios que não aplicavam e criticas justas aos desvios anteriores, condizem o CMLP num processo de degenerescência."
Pois, a sombra das conclusões da II Conferência do CMLP, este e depois o PCPml passaram a defender a edificação do Partido desligado da luta de massas e hoje a critica que fazem ao "espontaneísmo anti-partido da OCMLP" ataca não o espontaneismo que de facto dominou a nossa actividade na luta pelo Partido, mas tangem a justa linha de massas seguida pela nossa Org. e o papel de vanguarda que desempenhou a frente da luta das massas contra o fascismo, o colonialismo e a exploração capitalista, o que para eles é de um "crime" por "o Partido ser ainda fraco".
Mas, sobre esta concepção oportunista do Partido, falaremos em próximo documento.

Secretariado da Conissão Política do Comité Central da OCMLP

Sem comentários:

Enviar um comentário