sexta-feira, 17 de março de 2017

1977-03-17 - Unidade Popular Nº 111 - PCP(ml)

O PS apoderou-se da RTP

O PS apoderou-se do mais influente órgão de informação: a Radiotelevisão Portuguesa. Depois de alinhar, através da sua imprensa, com o partido de Cunhal na campanha de boatos sobre a situação e os diferendos na RTP, o PS deixou ao seu Governo a tarefa de resolver a seu favor a crise que ele próprio fomentara.
Aproveitando os diferendos existentes entre Tomás Rosa e outros elementos da direcção da RTP e os conflitos provocados pelos cunhalistas — que desejavam afastar Tomás Rosa —, Manuel Alegre, Secretário de Estado da Comunicação Social, mandou instaurar um inquérito a Tomás Rosa. Antes mesmo desse inquérito estar concluído, o Governo suspendeu Tomás Rosa do cargo de Presidente da Comissão Administrativa. Seguiu-se a exoneração desta e a nomeação simultânea de outra, em que Tomás Rosa foi substituído por um membro do Secretariado Nacional do PS, Edmundo Pedro. Finalmente, Manuel Alegre ordenou que fosse arquivado o inquérito a Tomás Rosa, por ele mesmo instaurado alegando «os bons serviços prestados, noutras circunstâncias, ao Estado democrático por aquele oficial».
A manobra foi clara. O PS quis afastar Tomás Rosa para colocar à frente da RTP alguém da sua confiança. Tomás Rosa queria eliminar o social-fascismo da Televisão. E, embora ao longo de todo este tempo tenha eliminado muito pouco, pensamos que se dispunha a fazê-lo. O PCP(m-l), na sua situação, erradicaria o social-fascismo da RTP mais rápida e radicalmente, não temos dúvidas. Confiamos, no entanto, que Tomas Rosa, dentro dos limites que lhe permitem a sua formação e posição política social-democrata, tencionava ir mais longe.
Nos bastidores, o PS justifica agora a sua actuação e os seus métodos vergonhosos afirmando que Tomas Rosa não varreu o social-fascismo da RTP e que serão eles que o vão fazer. Nós cá estamos para ver. Já ouvimos um jornalista — favorável, por sinal, à presente remodelação — dizer que dá ao PS um mês para «limpar» a RTP. Nós até lhe damos um mês e um dia. Cá estamos para ver. Desejamos, pois, a Edmundo Pedro as maiores felicidades no cumprimento da tarefa de que Manuel Alegre diz tê-lo incumbido.
A política informativa do PS tem sido, de modo geral, apoderar-se da imprensa, da rádio e da televisão, embora se árvore em arauto máximo da democracia e do pluralismo na imprensa como em todos os aspectos da vida do País.

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