sexta-feira, 17 de março de 2017

1977-03-17 - Revolução Nº 102 - PRP-BR

EDITORIAL

O Imperialismo e os seus representantes em Portugal encontram-se neste momento perante a seguinte escolha: ou prolongar o Governo PS remodelando-o, ou constituir desde já um governo de coligação PS/PSD/CDS, que possa ser um governo de dependência directa do Presidente da República.
Perante esta escolha, o Imperialismo não vai evidentemente atirar a moeda ao ar para ver se dá «caras ou coroas»... Mas vai analisar as possibilidades e as garantias dos dois tipos de solução para uma fase imediata. De qualquer modo, a solução a encontrar para o Imperialismo é aquela que lhe garanta um avanço na escalada repressiva.
A verdade é que o actual Governo por mais que seja, como tem sido, antioperário é um Governo que não garante um exercício efectivo da repressão.
Apesar da existência dum corpo de Polícia de Choque ter sido caucionada por decreto governamental, a verdade é que tem sido patente que o Governo PS não tem dado provas suficientes de dureza nos casos de confronto com as lutas dos trabalhadores têxteis, pescadores, correios, construção civil.
E como a crise económica se agrava e o aumento do custo de vida atinge já um grau insuportável, o curso natural das coisas é as lutas aumentarem todos os dias. Não serão os governos mais à direita que se formem que resolverão a crise económica nem o aumento do custo de vida, bem pelo contrário; mas serão esses governos a tentar uma efectiva recuperação capitalista por via duma repressão que garanta um alto grau de exploração e desse modo a acumulação de capital que permita o investimento capitalista noutros termos do que os actuais.
De qualquer modo, ou com Governo PS remodelado ou com coligação de direita, essa fase espera-nos, como primeiro passo na escalada para o fascismo. E embora a direita se tenha redobrado em apoios ao Governo PS nas duas últimas semanas em consequência das medidas económicas por ele tomadas, a verdade é que o acolhimento da Europa Capitalista e dos EUA aos pedidos de Mário Soares tem sido um canto de defuntos, por mais que a Imprensa estatizada tente mostrar o contrário.
No entanto o Imperialismo tem aqui que se haver com fortes contradições interiores ao Poder, as quais se reflectem não só no Conselho da Revolução, como no seio dos quartéis. E aí é que joga a verdade da força.
Essas contradições terão decerto a sua expressão máxima de momento nas comemorações do 25 de Abril, que uns querem grande jornada antifascista, que outros querem comemorar hierarquicamente do alto do palanque e que outros gostariam simplesmente de banir da História... Mas a verdade é que o 25 de Abril não pode ser apoderado por aqueles que nele não participaram. O 25 de Abril nem foi uma Revolução, como muitos quiseram fazer crer nem foi (por aquilo que arrastou) um simples golpe de Estado para substituição da facção da burguesia no poder. A queda do fascismo arrastou aqui uma tumultuosa transformação social e política, a qual se veio a reflectir nos próprios autores do 25 de Abril. Por isso essa data e as comemorações têm de conter essa transformação. Não pode ser usurpada nem comemorada por aqueles que ainda hoje melhor representariam o regime deposto que qualquer outra coisa. E a alternativa a essa usurpação que a direita quer fazer para mistificar tem de ser a alternativa da unidade dos trabalhadores, que são eles próprios a garantia da transformação do 25 de Abril num projecto revolucionário. Essa Unidade dos trabalhadores para as comemorações do 25 de Abril não se pode fazer através de cúpulas, mas terá de vir da base.
Comemorar o 25 de Abril como jornada antifascista e como projecto revolucionário é um bom motivo para a larga unidade daqueles que têm tudo a ganhar com a derrota do fascismo e com a revolução os trabalhadores. É por isso de recusar toda a usurpação que os fascistas pretendem fazer. É de apoiar aqueles que ainda dentro do Poder querem fazer dessa data uma jornada de massas antifascistas. É de aproveitar esse motivo para organizar aquilo que é uma das chaves da solução do processo revolucionário a Unidade Revolucionária.

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