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sexta-feira, 10 de março de 2017

1977-03-10 - folha CDS Nº. 81 - CDS

folha CDS Nº. 81
10.3.77

1. CARLOS BRITO (PCP) APOIA O PPD. O deputado comunista Carlos Brito apoiou a iniciativa do PPD de submeter, nesta altura, o Governo a um debate parlamentar de política geral sobre medidas económicas. O PS criticou a atitude do PPD. O CDS declarou não terem ficado claros e transparentes os motivos e as opiniões do PPD. O PPD contou, assim, apenas com a simpatia expressa dos comunistas, em S. Bento. O que haverá com estas "convergências pontuais” - assim lhes chamava Sérvulo Correia (PPD) - entre os comunistas e o PPD? É bom que ninguém se esqueça que os comunistas são dos maiores responsáveis pelas nossas dificuldades actuais e de que estas "trocas de simpatia" com o PCP custam sempre a Portugal um preço elevadíssimo. Razão tinha o "Comércio do Porto", quando destacarás "PPD abre debate, PCP agradece..." É que, das duas, uma: ou no debate parlamentar o PPD irá apoiar criticamente as medidas do Governo e, nesse caso, o debate apenas serviu para os comunistas destilarem uma vez mais a sua demagogia; ou o PPD irá atacar as medidas do Governo nos mesmos moldes que o PCP e, neste caso, contribuirá, ao lado deste, para o agravamento súbito da nossa situação económica e social. Contudo, desde já, cabe salientar a natureza nociva da circunstância de o debate aberto pelo PPD se ir realizar em coincidência com a campanha demagógica, instabilizadora e irresponsável desencadeada pela Intersindical e pelo PCP contra a nossa recuperação económica e a democracia. Aonde nos conduzirão essas "convergências pontuais"?
2. MAIS SACRIFÍCIOS PARA OS PORTUGUESES? OS COMUNISTAS CONTINUAM A ARRUINAR A ECONOMIA E A FAZER SUBIR O CUSTO DE VIDA. O PCP e a Intersindical dedicaram-se no tempo do gonçalvismo à destruição de todas as estruturas económicas portuguesas. Não foram os únicos, mas seria injusto considerá-los em lugar secundário. Empurraram para o estrangeiro, em massa centenas dos melhores técnicos portugueses, enfraquecendo a capacidade técnica de produção em Portugal. Entretêm-se a arruinar a agricultura e, no "seu" Alentejo, despejam para os rios ou enterram toneladas de batata que aí ficam a apodrecer. Provocam a paralisação das empresas, impedindo o seu regular funcionamento. Agora... andam para ai muito excitados, com a subida do custo de vida e a escassez de alguns produtos. Aparentemente, dizem que lutam contra a escassez e a inflação. Mas, continuando a agitar e a desencadear greves sem sentido, a não trabalhar e a não deixar trabalhar quem quer, é evidente que é o contrário que sucede - para o PCP, os preços ainda estão muito baixos. Fiel à sua política de traição aos mais desfavorecidos e de destruição da democracia, o PCP está apostado em continuar a sua agitação, desorganizando ainda mais a economia, para que os preços subam mais, a escassez aumente e a irritação se generalize. Na opinião do PCP, a vida tem que ficar ainda mais cara para que a sua ditadura seja possível. No fundo, lutar contra o aumento do custo de vida, é lutar contra as manobras do PCP e da Intersindical, contra os excessos do gonçalvismo, contra a recuperação dos oportunistas, contra a desorganização maior da economia. O PCP ESTA APOSTADO EM LIQUIDAR O PODES DE COMPRA DOS PORTUGUESES, SOBRETUDO DOS TRABALHADORES MAIS DESFAVORECIDOS, E, POR ISSO, NÃO TRABALHA, NEM DEIXA TRABALHAR QUEM QUER TRABALHAR!
3. MUNICÍPIO DA AMADORA. Por aclamação e de pé foi aprovada, na Assembleia da Republica, a passagem da vila da Amadora de freguesia a concelho. O projecto nesse sentido fora apresentado pelo CDS, que festejou o acontecimento na inauguração recente da sede na Amadora, ocorrida no mesmo dia em que a JC ganhava as eleições no liceu desta vila. Neste acto de inauguração Freitas do Amaral afirmou: "Não somos muleta do PS; o que fazemos, fazemo-lo sempre por Portugal!"
4. MEDIDAS ECONÓMICAS DO GOVERNO. "As medidas decididas pelo Governo em 25 de Fevereiro passado devem ser consideradas como inevitáveis, quanto à sua natureza global, se desejarmos sinceramente salvar a democracia", afirmou Amaro da Costa em S. Bento que considerou aquelas medidas como o "25 de Novembro económico", qualificativo sobejamente confirmado pela irritação que provocaram ao PCP e UDP.
   5. OUTRAS INTERVENÇÕES DOS DEPUTADOS DEMOCRATA-CRISTÃOS. Ângelo Vieira denunciou os escândalos do IARN, organização em que campearam o oportunismo e a corrupção, tendo como principais vítimas os refugiados para que foi criada. Silva Mendes defendeu a urgente significação dos tribunais, pois o respeito do poder judicial é essencial ao Estado de Direito. Lucas Pires falou sobre o avião desaparecido em Cabora-Bassa com técnicos portugueses, denunciando o silêncio mantido pelas autoridades e exigindo explicações sobre o rumo dos inquéritos havidos. Noutra intervenção, defendeu ainda o projecto de alargamento para 200 milhas das águas territoriais portuguesas.
   6. AS OPINIÕES MUDAM EM POUCAS SEMANAS. SÁ CARNEIRO TEM UMA OPINIÃO. Declarou que o PS não dá garantias e o seu Governo é incompetente. SÁ CARNEIRO TEM OUTRA OPINIÃO. Afirmou que aceita a fusão do PPD com o PS. SÁ CARNEIRO TEM UMA OPINIÃO. Considerou que as diligências feitas pelo CDS junto da União Europeia da Democracia-Cristã, no sentido da entrada de Portugal para o Mercado Comum, não eram do interesse nacional. SÁ CARNEIRO TEM OUTRA OPINIÃO. Diligenciou, junto de Mário Soares, no sentido de que este o convidasse a acompanhá-lo a Bruxelas, para as negociações de adesão de Portugal ao Mercado Comum.
O CDS, por seu turno, já afirmou que não acompanhará Mário Soares, na sua viagem a Bruxelas. SÁ CARNEIRO TEM UMA OPINIÃO. Declarou que o sector público e nacionalizado não é capaz de fazer progredir Portugal e que só o desenvolvimento da iniciativa privada poderá assegurar esse progresso. Disse-o na Televisão, curiosamente no mesmo dia em que o deputado do seu Partido, Ruben Raposo, falara entusiasmado, era S. Bento, do “rumo ao Socialismo". SÁ CARNEIRO TEM OUTRA OPINIÃO. Já comunicou a Mário Soares que a PPD aceita a proposta do PS de definição do sector público e do sector privado, que consagra, afinal, a maioria das nacionalizações efectuadas como nacionalizações do sector e não só de empresa, contendo importantes limitações à iniciativa privada.
7. à DESESTABILIZAÇÃO MILITAR. "Hoje é o General Vasco Lourenço, ontem foi o Major Melo Antunes, amanhã será outro. E assim se andará por aí a lançar afirmações comprometedoras que representam uma intromissão na esfera de acção do poder civil. Não quero deixar de fazer aqui um reparo aos conselheiros da Revolução que, depois das más provas de governação que deram durante estes dois anos e meio, deveriam ter um pouco mais de cuidado e de humildade nas declarações que fazem, algumas das quais são desestabilizadoras" - palavras de Freitas do Amaral à imprensa, por ocasião da reunião da Comissão Política do CDS, realizada era Coimbra nos passados dias 5 e 6 de Março.

FOLHA CDS Nº. 81 10.3.77
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