quinta-feira, 9 de março de 2017

1977-03-09 - Bandeira Vermelha Nº 060 - PCP(R)

EDITORIAL
TRABALHOS PREPARATÓRIOS DO II CONGRESSO: UMA EXPERIÊNCIA NOVA NA ACTIVIDADE DO PARTIDO

Os trabalhos preparatórios do nosso II Congresso têm-se revelado por si próprios, uma experiência nova na actividade do Partido. É a primeira vez, na verdade, que realizamos um Congresso apoiados numa prática partidária considerável, que nos permite ver com olhos de partido a realidade que nos envolve e, aquilo que temos feito. O I Congresso do PCP(R), o da reconstrução do Partido, não teve atrás de si nenhuma experiência vivida de actividade partidária. Os grupos pequeno-burgueses não podiam transmitir-nos uma experiência que não tinham e a sua visão da crise revolucionária atravessada pela sociedade portuguesa foi necessariamente deformada pelos conceitos do radicalismo pequeno-burguês.
Estamos hoje numa situação completamente diferente. E isto traduz-se em avanços significativos, quer em relação aos grupos pequeno-burgueses, quer mesmo em relação ao I Congresso do nosso Partido.
IR MAIS LONGE E MAIS FUNDO QUE NO I CONGRESSO
A grande diferença que nos eleva acima do I Congresso, apesar da importância que ele teve, consiste nisto: pela primeira vez, desde há muitos anos, podemos afirmar com segurança que existe da parte dos comunistas portugueses um trabalho de aplicação das verdades universais do marxismo-leninismo à realidade portuguesa. Este facto, que é a questão decisiva para avaliar do efectivo avanço das forças revolucionárias marxistas-leninistas num dado país, significa o rompimento com a inoperância pequeno-burguesa.
As reuniões partidárias que estão a realizar-se têm, de resto, salientado convenientemente esta nova situação, que se encontra espelhada no enorme valor do projecto de Resolução Política apresentado pelo Comité Central ao II Congresso. Podemos constatar, com efeito, que a Resolução Política do I Congresso se limitou a definir parâmetros gerais que enquadraram o nosso Partido no campo dos verdadeiros partidos marxistas-leninistas e que nos situaram na continuidade do velho PCP, ou seja, da actividade revolucionária levada a cabo pelos comunistas portugueses antes da traição revisionista. Esses parâmetros gerais são uma base indispensável para distinguir a nossa existência e a nossa acção política revolucionária das de quaisquer outros partidos ou grupos. Mas seria muito pouco se tivéssemos um ano depois, ficado pelas mesmas afirmações e pelas mesmas verdades universais. Se assim tivéssemos procedido, não teríamos em nada contribuído para enraizar os comunistas na luta de classes ou para fazer do marxismo-leninismo o guia da nossa acção revolucionária.
Doravante, é o progressivo aperfeiçoamento do nosso conhecimento sobre a realidade portuguesa, as características próprias da nossa revolução e o papel que temos a desempenhar como destacamento português do movimento comunista mundial, que decidirão do progresso do nosso Partido como força revolucionária marxista-leninista.
É este passo decisivo que o II Congresso avança, deixando definitivamente para trás a indigência política própria do grupismo pequeno-burguês.
Quem é capaz de usar o marxismo-leninismo para compreender a realidade concreta do nosso país e quem é incapaz de o fazer, limitando-se a pregações balofas — nisto consiste a distinção entre os comunistas marxistas-leninistas e os diversos grupelhos ainda hoje arvorados em defensores do marxismo-leninismo.
MELHORAR A TÁCTICA, PROSSEGUIR A REVOLUCIONARIZAÇÃO
A libertação progressiva, mas vigorosa, dos traços do grupismo pequeno-burguês é patente nas reuniões do Partido realizadas para discussão dos projectos de resolução. Em dois pontos-chave tocam as contribuições apresentadas pelos organismos e pelos militantes: a exigência de uma táctica mais perfeita e mais pormenorizada; e a crítica às manifestações de grupismo ainda existentes.
Todo o Partido compreendeu já que sem táctica, sem alternativas concretas, não pode haver actividade revolucionária durável. Esta experiência, que a acção desenvolvida durante um ano nos trouxe, tem impelido a generalidade dos camaradas do Partido a criticarem algumas insuficiências da linha táctica definida e, sobretudo, a chamar a atenção para a necessidade de proceder à elaboração de orientações tácticas específicas que respondam às exigências do trabalho político nas diversas frentes de luta.
Estamos, também neste campo, longe da situação dos grupos — ao nosso Partido não basta já fazer afirmações abstractas nem sequer propor orientações gerais. Para além disto é-lhe imprescindível ter ideias precisas de como conduzir a acção prática das massas onde elas se encontram e nas condições em que elas se encontram. A vigilância dos militantes do Partido sobre estas questões fundamentais da nossa actividade revolucionária, marca uma diferença abismal com a insensibilidade política dos grupos pequeno-burgueses e demonstra que se deram passos de gigante na compreensão do que é um Partido Comunista e do que implica ser seu militante.
São de extrema importância, por outro lado, as críticas conduzidas contra os restos de comportamento e práticas grupistas. O movimento de revolucionarização e de proletarização, ainda que não tenha eliminado em absoluto os vícios grupistas, impregnou contudo os militantes do Partido de um espírito de combate ao grupis­mo que garante o prosseguimento da revolucionarização e da proletarização. Será na base desta grande aquisição — que revela como o espírito de Partido se sobrepõe ao espírito de grupo — que a revolucionarização deverá orientar-se para a eliminação completa de velhos vícios e para a correcção dos que de novo surgirem. Neste domínio também deverá o Partido seguir o ensinamento da 7ª Reunião Plenária do Comité Central sobre a aplicação da táctica: basear-se sobre as vitórias alcançadas para se lançar em novas batalhas, sempre em melhores condições.
As exigências surgidas nas reuniões partidárias no sentido de aperfeiçoar a nossa linha táctica, nomeadamente pela elaboração de tácticas específicas para sectores diversos de actividade; e no sentido de levar mais longe a revolucionarização e a proletarização do Partido, são duas manifestações de grande importância para a nossa actividade futura que revelam a compenetração de todo o Partido das suas responsabilidades políticas.

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