terça-feira, 7 de março de 2017

1977-03-07 - Luta Popular Nº 533 - PCTP/MRPP

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VELHAS ATOARDAS REACCIONÁRIAS

«O descontentamento da população face ao aumento do custo de vida está a ser aproveitado por forças da direita que pretendem a reimplantação do fascismo» — assim se pronunciou o Secretariado da Intersindical em conferência de imprensa concedida na sexta-feira passada para logo a seguir acrescentar: «Esse descontentamento faz parte de uma manobra concertada para levar o País de novo para um regime autoritário», sendo obviamente os «agentes fascistas» os que fomentam a «agitação social» contra as recentes medidas governamentais.
Assistimos nestas frases e noutras ainda que por diversas vezes foram repetidas durante a conferência de imprensa da confederação sindical social-fascista a retomada sem aparentes modificações de todo um tipo de discurso desenvolvido pelos revisionistas logo após o golpe militar do 25 de Abril. Então, os operários e trabalhadores que faziam greve eram «reaccionários», os seus dirigentes mais combativos eram catalogados de «agentes da CIA» e o objectivo das movimentações de massas que então tiveram lugar era, como agora, o «regresso do fascismo».
Hoje, os operários e demais trabalhadores que lutam são ainda «adeptos do regime autoritário de antes do 25 de Abril», os seus dirigentes não passam de «agentes fascistas» e o que pretendem, para usar do vocábulo mais em voga em todos os sectores da burguesia reaccionária, é «desestabilizar» a situação politica, em favor da «reacção».
Ontem como hoje, a argumentação repete-se, o que supõe que o contexto político em que os revisionistas ontem vomitaram as suas mistelas contra-revolucionárias não é muito diferente da conjuntura política em que essa quente debite hoje as mesmas atoardas reaccionárias.
De facto, essa ideia de que «as greves servem o regresso do fascismo», que o movimento popular está a ser cavalgado pela «direita reaccionária» e que haverá de cruzar braços e desistir de lutar para que essa hipótese não aconteça é um exemplo típico de como a ideologia burguesa age no seio do proletariado e das massas, procurando levá-las a abandonar o seu combate e, neste caso, as reivindicações sociais de que fizeram bandeira as presentes movimentações de povo.
Para já, a classe operária luta, não somente para evitar o fascismo (e o social-fascismo), mas, e principalmente, para se emancipar e emancipar com ela todos os explorados. Nessa medida, os trabalhadores lutam também contra qualquer forma de ditadura burguesa e os que pretendem desviá-los dos objectivos que eles prosseguem para atrelá-los ao carro da defesa da sua exploração e opressão sob a forma da ditadura democrática do capital não passam de reles lacaios da classe dominante, como tais merecendo ser tratados.
Em segundo lugar, se inimigo existe no seio do movimento popular que pretende cavalgar e aproveitar-se das lutas em curso é precisamente o inimigo revisionista que quer usar o combate popular como instrumento de manobra para obter a sua reentrada no Governo e trair assim os trabalhadores.
Ainda deve acrescentar-se que, dizendo as baboseiras que nos levaram a escrever este artigo, a Intersindical da traição pretende desviar o proletariado e o povo da tarefa principal que é dar um combate intransigente às leis e medidas anti-operárias e anti-populares, particularmente as saídas do Conselho de Ministros extraordinário de 25 de Fevereiro. Não admira: os seus patrões social-imperialistas percebem muito bem que os 41 decretos da tome e da miséria saídos daquela reunião ministerial abrem o terreno não só ao retorço das posições do imperialismo ianque e europeu na nossa pátria, mas também dos novos czares moscovitas. Tudo depende de quem obtenha a hegemonia na aplicação desses decretos, a qual os social-fascistas do partido de Barreirinhas Cunhal ainda não perderam a esperança de vir a conseguir.
É claro que certos pasquins fascistas (como «A Rua» e «A Barricada» entre outros) fingem atacar as medidas anti- operárias e anti-populares do Governo. Mas não só tais pasquins têm uma influência extremamente limitada na opinião pública, como ninguém pode negar serem os partidos do grande capital (PSD e CDS) os mais interessados em secundar e apoiar o Governo na aplicação das ditas medidas. Aliás, se tais pasquins existem é porque os social-fascistas os alimentaram. Eles são os primeiros interessados em empolar a existência de «fera fascista», procurando esconder que o fascismo (e o social-fascismo) começam por existir no aparelho de Estado, como o mostraram agora as medidas governamentais.
De facto, dizendo que as greves são o «fascismo» e os trabalhadores «agentes fascistas», o partido revisionista procura, tal como logo após o 25 de Abril o fez com as leis spínolistas, ganhar a hegemonia na aplicação dos decretos contra-revolucionários do Estado e dos Governos dos capitalistas. Só que a consciência do povo subiu muito desde então e não é nada pacifico que os social-fascistas venham a conseguir agora as tuas finalidades contra-revolucionárias.

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