terça-feira, 7 de março de 2017

1977-03-07 - Improp Nº Especial - III Série - Movimento Estudantil

Improp
SERIE III ESPECIAL ANO VIII
7/3/77

associação de estudantes da faculdade de ciências de lisboa

COMUNICADO DA DIRECÇÃO DA ASSOCIAÇÃO
Avaliação de Conhecimentos
Por falta de quórum não se realizou a A. Plenária convocada para a passada 5ª feira, na qual a deveria ter decidido qual a posição a tomar pela Escola face à portaria saída do MEIC sobre a avaliação de conhecimentos.
O facto de atravessarmos neste momento uma época de avaliação de conhecimentos não é certamente alheio às razões que levaram à não realização da A.P Foi também isso que nos levou a não convocar nova reunião para discutir este assunto.
Não podemos no entanto, por esta razão cruzar os braços e começar a cumprir passivamente a portaria pois isso conduzir-nos-ia a retomar os métodos de avaliação de conhecimentos utilizados antes do 25 de Abril, contra os quais os estudantes sempre lutaram, mesmo durante o fascismo.
Não deixaremos de considerar que a classificação de 0 a 20 tem um carácter altamente anti-pedagógico, servindo unicamente para dividir os estudantes em diversas categorias que possibilitem no futuro serem escolhi - dos mais "claramente” aqueles que irão assumir os postos de "chefia" incutindo assim um espírito essencialmente individualista nos estudantes Parece-nos no entanto, irrealista, neste momento, continuar a utilizar a classificação de apto em 3 escalões, tal como foi aprovado na última A. Plenária, não só devido à situação existente a nível das outras Faculdades, mas atendendo à situação em Ciências. Numa altura, em que nos encontramos próximo do fim do semestre e em plena avaliação de conhecimentos, não temos condições para de uma forma organizada avançarmos com formas de luta que permitissem impor a posição de não aplicação da escala de 0 a 20, fazendo com que o MEIC recue nas suas imposições. Assim, parece-nos inevitável termos de cumprir a classificação estipulada pelo MEIC, devendo porém os critérios utilizados para a atribuição das no tas ser, mais do que nunca, objecto de vigilância por parte dos estudantes em geral e das Comissões de Curso em particular.
O facto de aceitarmos as notas não significa que a partir de agora renunciemos a todos os métodos de avaliação de conhecimentos considerados como os mais correctos pela maioria dos habitantes da Escola.
Com a política que o MEIC tem vindo a seguir, alguns professores e estudantes sentindo as "costas quentes" irão tentar nas turmas e cadeiras esquecer as decisões tomadas, pretendendo, sob o pretexto de que agora é o MEIC quem manda, levar à prática métodos individualistas e extremamente selectivos de avaliação de conhecimentos.
No entanto, temos de mostrar que as posições que temos vinda a assumir desde o 25 de Abril, neste campo, continuam a ser correctas e são viáveis, dependendo da vontade dos professores e estudantes em as pôr em acção.
O trabalho em grupo, método que vigora desde o 25 de Abril e que tem vindo a ser sucessivamente aperfeiçoado, graças ao esforço da grande maioria dos estudantes, pelas suas características de combate ao individualismo e de processo mais conecto de aprendizagem deve continuar a ser utilizado, tal como foi aprovado na última A. Plenária, devendo continuar a contar para a classificação final a realização de testes e trabalhos em grupo. Aqueles que dizem reconhecer as vantagens do trabalho em grupo, mas que acham que se avaliações devem ter por base única e exclusivamente o trabalho individual estão na prática a negar o trabalho em grupo, pois se ele é um método de aprendizagem, e o mais correcto ele tem de ser necessariamente objecto de avaliação.
Quanto às discussões orais elas devem continuar a vigorar nos mesmos moldes que até agora. Não podemos permitir que elas se transformem nas tão odiadas orais à antiga, cujo fim único era a selecção. Este problema tem-se levantado recentemente em diversas turmas e para o resolver há que contar sobretudo com o esclarecimento e a união dos estudantes para que os professores sejam forçados a cumprir os novos métodos de avaliação de conhecimentos por nós adoptados e que consideramos serem neste momento, os mais justos e os que permitem uma melhor aquisição de conhecimentos.
Cabe agora às Comissões de Curso a importante tarefa de não permitirem que o nosso trabalho de 3 anos no campo da avaliação de conhecimentos seja perdido e zelarem por que na nossa escola continuem a vigorar métodos pedagógicos correctos. Só com a unidade e organização poderemos conseguir que OS VELHOS MÉTODOS NÃO VOLTEM A ESCOLA:

NOTA
FINALMENTE CHEGOU INFORMAÇÃO DA DIRECÇÃO GERAL DO ENSINO SUPERIOR SOBRE O ANEXO - PODERÁ SER UTILIZADO A PARTIR DE 27 DE ABRIL, ESTANDO ENTRETANTO A SER ALVO DE REPARAÇÃO

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