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sexta-feira, 3 de março de 2017

1977-03-03 - Boletim da FAPIR Nº 03

REVIVER LÁGRIMAS D’ALEGRIA

O 25 de Abril de 1974 foi uma festa do povo português. Não apenas uma festa-ritual como tantas outras, mas sim uma festa-transformação, em que o povo nas ruas — como sujeito e não como objecto — arrastou à sua frente muitas encenações possíveis de um golpe de Estado. Foi uma explosão de luta e de alegria.
O 25 de Abril de 1974 foi um acto popular de Cultura, com uma força, uma clareza e uma criatividade que só vividas por dentro se podem avaliar. Acto de cultura porque varreu impetuosamente o edifício do fascismo — que é a anti-cultura levada ao extremo. Acto de cultura como assunção de liberdade, directa e imediatamente praticada.
Nesses dias inesquecíveis, as pessoas não se perderam em análises e discussões sobre "o conceito mais correcto de liberdade". Os oficiais do MFA derrubaram o governo. O povo saiu à rua, atirou-se a cantar ao edifício do fascismo e, na medida do possível, foi-o destruindo.
Derrubar o fascismo foi um acto cultural de alegria, para além do evidente acto político. Um acto que pertence ao património popular.
O fascismo caiu. Mas não morreu.
Por isso, o 25 de Abril continua a ser — será sempre — uma arma poderosa nas mãos dos antifascistas. Comemorá-lo condignamente será o reviver dessa força despoletada, o reviver dessas lágrimas de alegria, o reviver dessa unidade de milhões praticando a liberdade.
Para nós, artistas e intelectuais de variados quadrantes, seria um equívoco limitar as comemorações dessa história "festa popular" à escala dos feriados nacionais, dos discursos frios e formais dos salões oficiais, ou ainda — o que seria lamentável — encará-lo como um inesperado domingo suplementar a meio da semana.
Por isso a FAPIR — Frente de Artistas Populares e Intelectuais Revolucionários — toma a iniciativa de organizar, no Porto, em 1977, o FESTIVAL POPULAR DO 25 DE ABRIL, uma iniciativa aberta à participação de todos os antifascistas.

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