quinta-feira, 2 de março de 2017

1977-03-02 - Luta Popular Nº 529 - PCTP/MRPP

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O «patriotismo» destes «socialistas»

Chegado a Lisboa, da sua viagem a Washington o deputado «socialista» Jaime Gama exteriorizou aos jornalistas uma confiança pródiga: «Foi-me garantido que a ajuda militar e financeira dos EUA a Portugal se concretizará», disse, acrescentando ser «muito profundo» o desejo da administração Carter em «ajudar a consolidar a democracia em Portugal».
Feito caixeiro viajante do Governo do seu partido, o deputado Gama teve por missão a de apresentar o relatório das medidas anti-populares exigidas pelos imperialistas, já aprovadas e suplicar aos patrões ianques a rápida concessão do empréstimo de 1500 milhões de dólares, que inicialmente haviam prometido e posteriormente, retido sob o pretexto de «dificuldades técnicas».
É claro que não se trata de quaisquer dificuldades de ordem «técnica» mas das habituais exigências e chantagens dos EUA e do seu Fundo Monetário Internacional, com vista a garantir o saque de um elevado juro e de regalias de ordem política, económica e militar em troca dos seus empréstimos. A satisfação de tais exigências, ou de parte delas, deu-a precisamente o Conselho de Ministros da burguesia portuguesa ao decretar as suas últimas medidas económicas de austeridade e, em particular, a desvalorização do escudo em 15 por cento. Dai a confiança que anima o confiado Gema.
O depurado Gama qualificou de «muito positivo» o acordo com os seus patrões de Washington e, para dissimular a sua natureza reaccionária e vende-pátrias, foi ao ponto de tecer os mais rasgados elogios ao sistema imperialista americano e à sua nova administração, presidida pelo senhor Carter. «O presidente Carter, — disse Gama está empenhado numa campanha a favor dos direitos humanos, a já anunciou a sua intenção de condicionar o auxilio económico externo à existência de regimes autenticamente democratas», «os quais como é óbvio se inclui - e bem para tal critério — o Governo »socialista»…
Tal como os anteriores governos provisórios, em especial os de hegemonia social-fascista, abriram as portas ao social-imperialismo soviético, o actual Governo do partido pequeno-burguês dito socialista escancara-as ainda mais ao Imperialismo americano e à sua secção europeia e por essa via também ao social-imperialismo revisionista soviético.
O «patriotismo» destes «socialistas» é a entrega de mão beijada dos sectores vitais da economia portuguesa ao saque e à rapina de Washington, como da CEE e do Comecon. São as humilhantes medidas de desvalorização da moeda portuguesa, do pagamento de indemnizações aos capitalistas estrangeiros, de atribuição de concessões fiscais e de mil facilidades aos Imperialistas com vista a que estes exportem abundantemente os seus capitais e cravam mais fundo na nossa pátria as garras da sua dominação.
O «patriotismo» destes «socialistas» e a colocação do nosso território nacional e das Forças Armadas da burguesia portuguesa à disposição dos interesses estratégicos do imperialismo da NATO e da sua política de agressão contra os povos da Europa e do mundo.
Após ter hesitado durante algum tempo, como é próprio destes governos da pequena burguesia, entre ir com os trabalhadores e a sua política para a solução da crise ou ir com a burguesia, o Governo «socialista» decidiu-se. E decidiu-se também da forma como se decidem todos os governos dos partidos conciliadores e impotentes: pela submissão ao Imperialismo e ao social-imperialismo, pela política do reforço e da recuperação do capitalismo da crise, através da mais intensa e desenfreada exploração e repressão sobre os operários.
Mas a solução da crise que os operários e os camponeses, safo a direcção do nosso Partido, exigem é a antagónica desta: só contra os imperialistas e social-imperialistas; só contra os monopólios e latifundiários, só a favor do proletariado e do povo trabalhador, só com luta dura contra os exploradores e opressores se pode abrir caminho.
Não há a «terceiras vias». Cada classe tem o seu programa face à crise. O dos ianques da América, da Europa e social-imperialista é o que os Gamas, Soares e outros caixeiros viajantes tentam impingir. O dos operários e camponeses e o do controlo operário sobre a produção, distribuição e consumo, e o de acumular forças para o derrube da burguesia no poder, é o da Revolução Democrática e Popular.
Desencadear uma intensa agitação em cada fábrica e bairro contra as medidas de fome e de miséria do governo do capital, alargar às amplas massas trabalhadoras o movimento de adesão, organizar e dirigir a luta das massas em todas as frentes, eis as tarefas em que se traduz a resposta operária à política dos monopólios e do seu governo.

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