sexta-feira, 17 de março de 2017

1972-03-17 - COMUNICADO nº 3 - Movimento Estudantil

      COMUNICADO nº 3

     DIRECÇÃO da ASSOCIAÇÃO dos ESTUDANTES da F.E.U.P. 17 MARÇO 72 SOBRE A REUNIÃO DE COLABORADORES DE 15 MARÇO

Realizou-se no dia 15 do Março, às 15 horas, a primeira Reunião de Colaboradores da Associação de Estudantes da F.E.U.P. Foi aprovada a seguinte Ordem de Trabalhos:
      1 - Informações
      2 - Perspectivas de trabalho
      a - Questões pedagógicas
      b - Editorial Engenharia
      c - Secções
d - Legalização e instalações
      3 - Imprensa tendenciosa
1 - Foram dadas informações sobre o colóquio a realizar, em data a anunciar, por iniciativa da UNICEFE, sobre o livro de Armando Castro “O que é a inflação, (porque sobem os preços)”, com o autoridade que a Editorial Engenharia é sócia colectiva da UNICEPE foi sugerido que os estudantes da FEUP fossem informados através de uma tarjeta e que comparecessem no referido colóquio. – Um elemento da Direcção da Associação informou da luta dos estudantes portugueses, em particular de Direito, Letras e Farmácia (Lisboa), Farmácia (Coimbra), e Medicina (Porto), que já vem referidas no Boletim “PELA UNIDADE” 1 e 2. Foi também noticiada a concentração de 400 estudantes do liceu D. Manuel II, convocada pela Comissão Associativa do mesmo liceu, terça-feira dia 14 em frente à reitoria, apoiando a entrega de um abaixo-assinado do 7º I que exigia: a retirada imediata das faltas disciplinares, injustamente marcadas a 2 alunos, e às quais os alunos da turma reagiram recusando-se a responder às perguntas que o prof. lhes fazia; que se procedesse a um inquérito ao comportamento do prof. durante este ano; que o reitor tomasse as medidas necessárias para por cobro às arbitrariedades do prof. Carlos Cardoso.
Seguidamente foi apresentada pela Direcção da Associação a seguinte MOÇÃO DE APOIO, aprovada com 0 votos contra, 2 abstenções e 30 votos a favor:
A política do Governo sempre foi anti-estudantil; portanto, hoje como sempre, o Governo procura liquidar as AAEE. Todavia, a ofensiva Governamental tem-se tornado mais sistemática e coordenada nos últimos tempos. Por isso, só a unidade dos estudantes portugueses virada para a acção poderá possibilitar uma resposta necessária e coesa que obrigue a repressão a recuar.
A Reunião de Colaboradores tem presente que acções tais como os dois dias de greve em Letras (Lisboa)) a greve no Instituto Comercial (Lisboa) as concentrações de mais de 400 estudantes do liceu D. Manuel II, de 150 estudantes de Medicina (Porto); as greves em Farmácia (Coimbra e Lisboa) — são um contributo importante ao reforço e intensificação da luta dos estudantes portugueses, sendo formas exemplares de luta contra a repressão, (Não esquecendo as outras escolas em luta).
A Reunião de Colaboradores de Engenharia, apoia as lutas referidas e tudo fará para, de um modo activo - isto é, reforçando a organização a nível da Faculdade e federado, nomeadamente no campo da informação — dar o seu contributo à luta de todos os estudantes.
Informou-se sobre a Reunião inter Associações de 28 de Fevereiro (ver comunicado "Informação" de 24 de Fev no seguimento desta informação a Direcção da Associação apresentou a seguinte PROPOSTA sobre a RIA.

Considerando
1 - Que a unidade do Movimento Associativo, a todos os níveis, é um factor determinante do resultado das acções que se empreendem (sobretudo na situação repressiva em que o M.A. vive)
2 - Que a unidade do M.A. pressupõe um ambiente de cooperação e de confiança mutua entre os estudantes
3 - Que a história, do M.A. português, mostra que sempre se trabalhou nas RIAs (senão excepcionalmente) com voto por escola, e que em particular: em Lisboa, neste momento, o voto por Direcção é prática corrente, submetendo-se as Escolas vencidas à decisão da maioria
4 - Que em virtude de todos os considerandos anteriores não é hábito dos estudantes, nem pode vir a sê-lo, utilizar formas legalistas e burocráticas de trabalho (na RIA ou outros organismos, mas, ao contrário optar por soluções eficazes, salvaguardando ao mesmo tempo a democraticidade de processos;
5 - Que a RIA deve funcionar com a participação do maior número de estudantes, e que o voto por escola, não é uma forma de "ditadura das Direcções Associativas (ou de Reuniões de Colaboradores conforme os casos), visto que, em ultima instância, quem decide são os estudantes através dos seus órgãos democráticos;
6 - Que o voto por escola é o tónico que permite vincular as Direcções às decisões definidas na RIA,
Propomos:
1 - Que a convocatória das RIAs seja amplamente divulgada.
2 - Que as RIAs sejam abertas a todos os estudantes.
3 - Que o voto seja por Escola.
Discutida esta proposta, foi apresentada a seguinte PROPOSTA sobre a RIA, votada em alternativa com a da Direcção da Associação
Considerando:
a) Os estudante do Porto, como órgão coordenador e impulsionador do movimento; 
b) Que não está definido o seu modo de funcionamento nem mesmo nos programas aprovados;
c) Que isto deve ser deve ser feito na base estudantil;
Proponho:
- Que o seu modo de funcionamento seja decidido em R.G.A.s das diversas escolas;
- Que entretanto se realizem, sempre que necessário, reuniões federadas de trabalho não vinculativas das escolas, amplamente convocadas a todos os estudantes, onde se adiantem propostas gerais de trabalho a apresentar ta diversas Escolas.
Foi aprovada a proposta apresentada pela Direcção da Associação.
- Sobre o ponto Perspectivas de Trabalho. Este ponto foi tratado apenas até a alínea, c) da ordem de trabalhos.
a) – Questões Pedagógicas
Foram informados os estudantes presentes dos contactos tidos pela Direcção com as Comissões de Curso de cada Secção. A Direcção procurou informar-se junto das C.C. das lutas travadas até ao momento, infamou-as da Reunião de Colaboradores, sugeriu que redigissem artigos sobre temas dos cursos para um futuro BOLETIM DA JUNTA DE DELEGADOS, focou o problema da Editorial Engenharia e das Secções incitando as C.C. a mostrarem aos estudantes a necessidade de colaborarem nestes organismos; isto é o primeiro passo para a definição de uma linha de actuação conjunta dos Cursos ao nível de toda a Faculdade que será concretizada com a realização de uma Reunião de Junta de Delegados depois das férias da Páscoa.
b) Editorial Engenharia
Neste ponto falou-se na necessidade da Editorial Engenharia trabalhar organizadamente e apoiada nos cursos. Para isso, a Administração da Editorial propôs as seguintes medidas. Criação de um corpo permanente de colaboradores a trabalhar com um horário a combinar em Reunião de Colaboradores da Editorial a realizar brevemente a formação de comissões de apoio à editorial nos Cursos; cursos de copiógrafo. Foi apresentada e aprovada por unanimidade a seguinte proposta.
Considerando os entraves administrativos que o Director da Faculdade continua a por ao acesso à Editorial Engenharia fora das Horas de funcionamento normal da Faculdade.
Proponho:
Que a Administração da Editorial Engenharia contacte com o Director da Faculdade no sentido de obter garantias de livre acesso às instalações da mesma aos colaboradores da E.E., a qualquer hora do dia, sob a sua responsabilidade.
c)Secções
Abriram-se as inscrições para o trabalho nas secções e vão ser postas listas na secção de vendas da Editorial para quem se quiser inscrever.
Estão criadas as sub-secções de cinema, xadres, intercâmbio e grupo de estudos sobre a reforma da Engenharia dentro da Cultural-Convívio. Encarregou-se a Direcção de contactar com as comissões de Curso dos 5º anos e com economistas para a realização de um colóquio sobre a situação de sub-emprego dos engenheiros em Portugal. Falou-se na realização de um futuro convívio.
Foi levantado o seguinte problema: como decidir se surgir uma divergência relativamente à interpretação do Programa de Candidatura (aprovado pelos estudantes) entre os colaboradores de uma secção e a Direcção. Respondeu-se que o problema seria discutido numa reunião de Colaboradores e, caso necessário, na Reunião Geral de Alunos.
Entrevista com o Director. A Direcção teve uma entrevista com o Director da Faculdade no dia 15, para saber a resposta que ele tinha a dar sobre o problema da Legalização e Instalações para a A.E.F.E.U.P.. Sugeriu o Director que se lhe apresente um pedido por escrito e que ele o enviaria às autoridades competentes para a sua resolução.
A “acção” dos contínuos. Informou-se que um contínuo arrancou cartazes informativos, e foram sugeridas medidas para o evitar no futuro como piquetes de guarda aos cartazes. O contínuo Américo tratou de modo inconveniente a empregada da Editorial Engenharia que estava na secção de vendas no primeiro dia da sua aberta, referindo-se em termos desprestigiantes à Editorial Engenharia.

SOBRE A «QUEIMA» - COIMBRA
A «latada»
Do comunicado da comissão Associativo da A.A.C. de 16 do Março de 1972, transcrevemos:
Um grupo de "estudantes" auto-constituído em “Comissão da Queima das Fitas" anunciou para o tarde de ontem, dia 15, uma "latada", como inicio dos comemorações da dita Queima.
Reagiram os estudantes a esta decisão de meia dúzia de provocadores, ocupados em tentar reavivar as "tradições" já mortas e enterradas, tendo-se realizado na mesma tarde uma concentração nos Gerais, o qual foi transformada em Reunião Geral de Alunos. Estavam presentes cerca de mil estudantes, tendo sido dadas informações e desmascarado o carácter anti-estudantil da apregoada Latada.
Entretanto o grupo do "grelados" e acompanhantes saiu dos Gerais em direcção à Baixa, e foi imediatamente decidido boicotar a latada, pelo que os estudantes presentes se encaminharam para esse local, onde aguardaram o "cortejo",
A reacção dos estudantes foi, à chegada dos provocadores, viva e imediata. Gritaram-se slogans que traduzirem os objectivos imediatos dos estudantes (Eleições, Assembleia Magna) e o seu repúdio por semelhante actuação, e, o despeito da pomposa protecção policial que ornamentava o desfile dos fascistas, estes foram perseguidos por toda a baixa, conseguindo-se boicotar totalmente a latada. Uma vez mais os elementos: anti-estudantis se valeram da protecção da polícia para levar a cabo os seus objectivos, que não são nem podem ser os dos estudantes.
A actuação pronto e eficaz dos estudantes, não recuando perante os cassetetes dos polícias, demonstrou plenamente o que os estudantes pensam de tais atitudes. Nem a protecção policial impediu o boicote total da latada, ao qual se seguiu a fuga vergonhoso dos "corajosos grelados", os quais se bateram entre si pelos táxis livres.
Dirigiram-se em seguida os estudantes para a Associação Académica, onde teve lugar uma breve reunião. Nela se decidiu realizar HOJE às 12 horas una Reunião Geral de Estudantes nos Gerais.

A DIRECÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DOS ESTUDANTES DA F.E.U.P.
17 de Março de 1978

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