quarta-feira, 8 de março de 2017

1972-03-08 - VÍRGULA - Movimento Estudantil

VÍRGULA
SUPLEMENTO INFORMATIVO Nº 1

BOLETIM da SECÇÃO de INFORMAÇÃO e PROPAGANDA da COMISSÃO PRÓ ASSOCIAÇÃO de LETRAS

LUTO ACADÉMICO COM ABSTENÇÃO GERAL ÀS AULAS – 4ª FEIRA (8) 3 5ª FEIRA (9) – Decisão da R.G.A. de dia 7 (3ª feira)

POR IMA ASSOCIAÇÃO DE TOPOS OS ESTUDAMOS Nº 2
As autoridades académicas de LETRAS, o Concelho Escolar, mandaram encerrar as instalações da C.P.A.
Sob instâncias do C.E., segundo informou o Director, foi nomeado pelo M.E.N. um juiz para fazer um inquérito às actividades da C.P.A.
Mais uma vez as autoridades académicas seguem os interesses governamentais na mesma tentativa de encerramento e paralisação dos organismos sindicais estudantis (as AAEE), tentam  coartar a sua representatividade, a sua organização democrática pela defesa dos seus mais legítimos interesses.
Depois dos encerramentos do ano passado - Industrial e Ciências de Lisboa, Medicina do Porto; Associação Académica de Coimbra - e este ano em DIREITO foi sobre a C.P.A. de LETRAS que caiu agora a repressão.
Os estudantes de Letras souberam dar a sua resposta.
Reuniu-se ontem (7 de Março) no átrio da Faculdade, uma REUNIÃO GERAL DE ALUNOS com a presença de mais de 400 estudantes, da escola.
Contra o encerramento da C.P.A., contra o que significa tal medida em relação à representatividade de todos os estudantes no foi aprovada por mais de 400 votos a favor, 5 abstenções e 0 votos contra a seguinte proposta:

PROPOSTA APROVADA EM R.G.A.
Atendendo a que:
a) neste momento, após a ofensiva repressiva sobre o M.A. de Letras e o M.A. em geral (Direito, Industrial e Ciências de Lisboa; Medicina e  Liceus do Porto; a Associação Académica de Coimbra), é necessária uma resposta massiva e coesa que reafirme a vontade que tem os estudantes em defender o M.A. e não deixar progredir a repressão, fazendo-a recuar, através do seu apoio dado na prática em lutas de massas;
b)neste momento em Letras além dessa resposta massiva que é necessária, é muito importante continuar todo o trabalho associativo e reivindicativo nos cursos (aliando processos mais amplos a outros parcelares).
PROPÕE-SE:
1 - Que todos os estudantes aqui presentes se recusem a utilizar o posto do Centro Universitário que vai ser aberto
2 - Que nos cursos se estruturem as formas concretas para que se continue todo o trabalho associativo de folhas e voluntários.
3 - Que  se mantenham todas as estruturas associativas existentes e que estas continuem a desenvolver o seu trabalho próprio; que, portanto, se reforce toda a organização e se incremente o trabalho associativo pedagógico-cultural e reivindicativo nos cursos e em geral.
4 - Que  fique a Direcção da C.P.A. de Letras vinculada a apresentar ao Director da Faculdade e ao M.E.N uma exposição em que se afirme a reivindicação de abertura imediata e legalização da C.P.A.
5 - Que  haja DOIS DIAS DE LUTO ACADÉMICA na Faculdade, com abstenção geral às aulas, ocupação do Anfiteatro I para discussão dos seguintes temas a discutir:
- a repressão sobre o M.A. e em especial Letras;
- características do Ensino em Letras:
e que se boicotem as aulas que se venham a realizar nesses dias.
6 - Que  seja dado o prazo de uma semana ao Director da Faculdade e ao M.E.N. para a resposta, findo o qual se reúnam de novo os estudantes em R.G.A., a convocar pela Direcção da C.P.A., para analizarem a situação e tomarem decisões;
7 - Que  o LUTO ACADÉMICO seja ocupado na Faculdade com iniciativas próprias dos estudantes a propor nesta R.G.A. e que a ele adiram os estudantes vindo à Faculdade e não abandonando-a
8 – Que fique a Direcção da C.P.A. vinculada a fazer contactos com as Direcções Associativas das outras escolas da Cidade Universitária (Direito, Medicina, Farmácia) para que se desenvolva um processo de luta unitário e amplo de todos os estudantes da C.U.
9 - Que, estabelecidas as bases desse processo unitário, de todos os estudantes da C.U., seja marcada uma R.I.A. (Reunião Inter-Associações de Lisboa) com o objectivo estrito de procurar saber se existem ou não possibilidades de o ampliar ainda mais a nível de Lisboa e inclusivamente a nível nacional com Coimbra e Porto.
10 - Que esta PROPOSTA, caso venha a ser aprovada, seja discutida e apresentada nos cursos e se comece imediatamente após a dissolução da R.G.A. a estruturação das formas organizativas e métodos necessários para a levar à prática(l)
11 - Que se marque uma REUNIÃO GERAL DE VOLUNTÁRIOS, para 6ª feira, em que os alunos voluntários sejam informados da situação e em que assumam a sua posição perante os acontecimentos. (Nessa reunião tratar-se-ão ainda de todos os problemas relacionados com os alunos voluntários).                                    
HOJE E AMANHÃ LUTO ACADÉMICO em Letras
É necessário que todos venhamos à Faculdade e participemos em todas as discussões viradas para a concreto da nossa situação e dos interesses que temos a defender!
É também necessário que, a partir deste momento, todos nos organizemos no trabalho associativo. PORQUE A LUTA TERÁ DE CONTINUAR; nas Secções - porque estas continuarão o seu trabalho, mesmo nestas condições difíceis; nos Cursos - com as Comissões de Curso, em torno dos problemas concretos que a todos os níveis se levantam!
É NECESSÁRIO QUE TOMEMOS UMA POSIÇÃO DECIDIDA E FIRME QUANTO AO ENCERRAMENTO DA C.P.A.!
QUE NÃO VAMOS ÀS AULAS, MAS VENHAMOS AO TRABALHO
PARTICIPEMOS TODOS UNIDOS no LUTO ACADÉMICO. NO TRABALHO ASSOCIATIVO!
UNIDOS CONTRA A REPRESSÃO!
PELA ABERTURA E LEGALIZAÇÃO DA C.P.A.!

A DIRECÇÃO DA C.P.A. DE LETRAS
(Lisboa, 8-3-1972)
(l) Nessa mesma tarde, às 15 h., realizou-se,de acordo com a proposta, uma reunião de trabalho, divisão de tarefas e organização, à qual compareceram cerca de 60 estudan­tes (nota da D.)

LETRAS
SECÇÃO DE INFORMAÇÃO E PROPAGANDA — COMUNICADO Nº 2
Perante a realidade concreta que é o encerramento de Associações (entre as quais a C.P.A. de Letras) os estudantes definem os seus propósitos de luta e concretizam-nos iniciando-os com dois dias de luto académico, aprovado em R.G.A., onde estavam 400 estudantes.
Os dois dias serão ocupados pela discussão dos temas — "O Ensino em Letras” e ”A repressão sobre as Associações" e todos os níveis em que a repressão se manifesta, desde as formas mais evidentes — "gorilas", cargas de polícia de choque, processos disciplinares, até às mais "benignas" - aulas magistrais, impossibilidade de discussão dos diversos aspectos da vida escolar e do modo como a Universidade se insere no todo social (Para que serve e a quem servo a Universidade?), etc.
Neste momento, a política repressiva define-se, em relação aos estudantes, pelo encerramento das suas Associações. Porque é uma medida que tem sido aplicada em extensão, isto é, nas três Academias do país têm sido encerradas Associações, quer-nos parecer que não serão possíveis vitórias fáceis e estrondosas! Daqui a necessidade de organização dos estudantes no sentido de manterem presente em si próprios a ideia de que a luta se prolongará, que os dois dias de luto não vão, por si só, resolver os problemas e abrir a Pró-Associação.
A luta estender-se-á; é, pois, necessário que das discussões no Anfiteatro I saiam os estudantes organizados e coesos para a luta contra a repressão, luta contra o ensino ultra-reaccionário, luta contra as mais diversas formas de repressão de que se é vítima nesta sociedade.
- PORQUÊ A REPRESSÃO?
- A QUEM SERVE COMO ARMA?
- QUEM SE SENTE “INCOMODADO" COM AS ASSOCIAÇÕES DE ESTUDANTES?
- PORQUE É A INFORMAÇÃO ESTRANGULADA?
- A REPRESSÃO SERÁ SÓ "OS TÉDIOS CINZENTOS" QUE CARREGAM PERIODICAMENTE SOBRE OS ESTUDANTES, DE CACETE NO AR?
- EXISTIRÁ REPRESSÃO QUOTIDIANA NA FACULDADE?
- AS AULAS MAGISTRAIS SÃO REPRESSIVAS?
- OS EXAMES...... ?

VAI AO ANFITEATRO!
DISCUTE, PROPÕE FORMAS ORGANIZATIVAS!
POR UM REFORÇO REORGANIZATIVO DO M.A.!

NOTICIÁRIO DOS CURSOS
FILOSOFIA
3º e 4. anos e alguns estudantes do 1º e do 2º - Decidiu abstenção às aulas caso isso fosse decretado em R.G.A. Ao mesmo tempo em reunião de cursos fez uma proposta de LUTO ACADÉMICO a apresentar à R.G.A. de terça-feira.
HISTÓRIA
1º ano - Decretou que se houvesse algum processo sobre algum estudante do curso, essa medida seria tomada como um processo a todo o curso; decidiu a tomar uma proposta de abstenção às aulas
2° ano - Depois de uma votação numa aula para que se continuasse a discussão sobre o encerramento da C.P.A., o professor negou-se a continuar na aula e a tomar posição perante a situação.
O curso continuou na aula discutindo apesar das tentativas de intimidação dos contínuos, conseguindo ocupar todo o tempo da aula. Face à ameaça de identificação feita pelos contínuos a alguns colegas, o curso decidiu que quando algum estudante do curso fosse suspenso do curso considerar-se-ia igualmente suspenso.
GERMÂNICAS
3º ano - Decretou abstenção geral às aulas caso essa proposta viesse a ser aprovada em R.G.A.
ROMÂNICAS
4°- ano - Os estudantes decidiram nada comprar nas salas da M.P. Decidiram continua no curso o trabalho de folhas e voluntários. Declararam-se solidários numa proposta de abstenção geral às aulas caso isso fosse aprovado em R.G.A..

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