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domingo, 26 de março de 2017

1972-03-00 - Unidade Popular Nº 012 - PCP(ml)

MARCELO, O FANTOCHE MAIS DESPREZADO DOS IMPERIALISTAS AMERICANOS

O "acordo" finalmente assinado com os americanos sobre a cedência da base das Lages nos Açores Mereceu a Marcelo mais uma das suas melodiosas "conversa" na televisão de modo a serenar os ânimos do povo. Como ele disse, era preciso não se pensar que a prometida chuva de dólares vem "resolver todos os problemas que temos em aberto". Então, que problemas vem resolver esses milhões de dólares? Significarão eles, um aumento os salários da classe operária ou uma melhoria das condições de vida e de trabalho? Ou virão permitir ao patronato, aos senhores do capital, realizar novos negócios e aumentar, a exploração da classe operária dos trabalhadores do campo e dos empregados, forçados a vender, a sua força de trabalho? É neste ponto que o problema tem interesse para o povo Português; as lerias de Marcelo, por muito habilidosa que seja a sua lábia de advogado, mal escondem a verdade.
O regime capitalista português atravessa, há cerca de dez anos para cá, uma forte crise. Ela só lhe não foi fatal por o partido revisionista ter virado as costas à revolução e ter impedido a organização do proletariado, e aos comunistas. Para resistir, a classe capitalista, representada pelo governo Salazarista-marcelismo, teve de recorrer ao auxílio militar, económico e diplomático das potências imperialistas. Pôs o seu aparelho e estruturas militares ao serviço da NATO), cedeu bases aos Estados Unidos, à Alemanha Federal e `França, concluiu acordos secretos de "cooperação” com a Espanha e o Malawi e com os racistas da África do Sul e da Rodésia. No domínio económico pediu empréstimos a grandes potências económicas (Estados Unidos, Grã-Bretanha, Alemanha Ocidental, França, etc.), tendo a dívida do Estado ao exterior atingido, de 1962 a 1969, 8000 milhares de contos; e abriu as portas a todo o capital estrangeiro que queira investir em Portugal. Por esse motivo, o capital das sociedades controladas pelo capital estrangeiro que foram criadas em Portugal e nas colónias em 1960 somava 32 mil contos mas, em 1965, ele já tinha aumentado para 673 milhares de contos e, em 1970, atingiu a soma extraordinária de 1979 mil contos. Destes 1771 milhares foram investidos em Portugal.
CAÇA AO CAPITAL ESTRANGEIRO
O acordo agora concluído com os imperialistas americanos encaixa-se nesta caça ao capital estrangeiro como meio de activar a produção portuguesa que, depois de 1965, começou a baixar de ritmo e cria problemas aos capitalistas no comércio com os países e as próprias colónias. Como mais de 50% do orçamento do Estado é consumido com a máquina de guerra e o governo já não sabe onde ir arrancar mais impostos, vê-se obrigado a ceder toda a espécie de vantagens ao capital internacional em troça de dinheiro. Concessões mineiras, venda de terrenos e de prédios, investimentos na industria, no comércio, em empresas financeiras, nos bancos e, finalmente, recorre ao negócio da cedência de parcelas do território e facilidades militares de ­ todo o género. (Sobre o problema dos investimentos estrangeiros em Portugal ver "Estrela Vermelha”, nº 11)
Marcelo lamenta-se de que este negócio não lhe seja muito lucrativo, e não pôde esconder que o dólar está doente e que tenham passado, "para a América, os tempos das vacas gordas". Ele não disse, porem, que os Estados Unidos, alem do mais, não podem apoiar abertamente as guerras coloniais e os crimes dos fascistas portugueses contra os povos africanos - embora o façam tanto quanto podem – para não perderem a sua influência junto dos países africanos, os quais, a bem dizer todos com excepção dos racistas, condenem o colonialismo português, tendo cortado as relações diplomáticas com Portugal no início da passada década. A América joga com um pau de dois bicos, chegando a dar apoio também a movimentos de "libertação" dominados pela burguesia das colónias como a U.P.A. de Holden Roberto, pois sabe que a política colonial do governo português não tem futuro.
 Quanto pôs termos do "auxílio" registados no "acordo", tal como a nota do governo o divulgou, eles são simplesmente ridículos e testemunham bem o desprezo que os ianques votam ao governo de Marcelo. Esse aspecto do contrato engloba o empréstimo sem encargos dum navio oceanográfico (o empréstimo dum navio!), o subsídio de um milhão de dólares (cerca de 26 000 contos) para "desenvolvimento educacional" (isto é, e, para propaganda fascista) e a cedência de sobras de “equipamentos", no valor de 5 milhões de dólares (132 500 contos, isto é maquinaria velha que já não interessa aos americanos. O “acordo” tem a preocupação de referir que não engloba material militar mas, como tem acontecido até aqui, as tropas coloniais utilizam armas e equipamento moderno americano, que chega a Portugal por intermédio de terceiros países. Tal como de Portugal se exportam medicamentos e outros produtos para a guerra travada no Vietnam do Sul sem que sejam os portugueses a directamente para lá.
A outra, parte do "acordo" às garantias de crédito sobre compras de material americano (430 milhões de dólares). Mas as importações feitas em tais condições sobrecarregam imenso os produtos uma vez que os juros cobrados pelos bancos americanos são muitíssimo altos. O mesmo banco Export-Inport, que prometeu a maior parte deste crédito, acaba de fornecer material rolante para a C.P. em condições idênticas, cobrando um juro de 6% ao ano e começando logo a descontar as prestações. Claro que quem beneficia com tais negócios são unicamente os usurários americanos que vêem o seu dinheiro aumentar sem qualquer esforço. e também os capitalistas portugueses seus intermediários; mas e do suor do trabalhador português que tem de sair o trabalho para pagar tudo isso, pois não há outra fonte de riqueza. Em tais condições, os empréstimos externos significam somente maior exploração para as classes trabalhadoras. Mas entre os capitalistas e imperialistas a lei é esta; o imperialismo chefiado pelos Estados Unidos e URSS, exactamente deste parasita deste parasitismo, desta cruel exploração das nações fracas e dependentes. E enquanto não fizer- mos a revolução e criarmos uma verdadeira independência económica e política estamos condenados a trabalhar para engordar também os banqueiros americanos e outros imperialistas.
UM JOGUETE DO BLOCO MILITAR DA NATO
No aspecto político e militar, o "acordo" com os americanos revela também que o governo marcelista, sem se entender totalmente com as ianques (ele não vigora senão por dois anos), coloca-se totalmente sob a tutela da sua política atlântica, coordenada pela NATO. Como os movimentos de libertação das colónias têm denunciado, é à conta deste bloco militar que os colonialistas conseguem manter-se ainda nas colónias, onde, dum lado, vão morrer cada vez mais, os soldados portugueses e, do outro, os povos africanos são vítimas dos mais infames genocídios de todos os tempos. Esse apoio do bloco militar da NATO acentua ainda mais a dependência de Portugal em relação ao imperialismo.
O “acordo”, sobre a base dos Açores, celebrado ao cabo de dez anos a de espera por parte dos governantes de S. Bento, é um exemplo flagrante da porta sem saída em que se acha o capitalismo português, vergado, ao fim e ao cabo, à vontade dos imperialistas americanos em troço de meia dúzia de patacos. Só a classe operária no poder reúne condições para restaurar de novo a soberania nacional, negociada pelos capitalistas-fascistas, e fundar uma verdadeira política, da independência, de prosperidade para o povo português, livre da opressão imperialista. É esta a grande responsabilidade do Partido Comunista de Portugal (marxista-leninista).

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