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segunda-feira, 6 de março de 2017

1972-03-00 - objectividade de informação e condicionamento da opinião pública - Diversos

INTRODUÇÃO

A leitura do estudo de Aime Guedj, "A Objectividade da Informação e o Condicionamento da Opinião Publica”, publicado na "Nouvelle Critiquê” de Março de 1972, tem de ter em atenção as diferenças de conjuntura política entre Portugal e França, se bem que as estruturas sócio-económica dos dois países se definam pelos mesmos parâmetros.
Por economia de linguagem e ainda pela natureza desta introdução, ultrapassamos a análise e caracterização do sistema económico e as interacções deste com a configuração política e o desenvolvimento do processo revolucionário. Quando nos limitamos a apontar as diferenças entre as instituições político-jurídicas e as formas ideológicas utilizadas pelos sectores sócio-económicos detentores do poder, não somos movidos por qualquer tendência sobrevalorizadora do papel das superestruturas ou por qualquer inclinação para abstracções que desloquem os países em causa do contexto político-económico em que estão integrados, mas sim as razões anteriormente expostas.
É em função do estado organizativo e subjectivo das massas, além de outros factores que consideramos pressupostos, que a classe dominante, para prosseguir a sua "missão histórica” - desenvolvimento do processo capitalista - cria e molda novas formas de funcionamento para o aparelho de Estado. Só nesta perspectiva é que se pode compreender como o poder político encara num e noutro país o problema da informação (como elemento constituinte do quadro politico duma sociedade) e se vê obrigado a optar por este ou aquele comportamento perante a imprensa.
Em França, as liberdades democráticas, defendidas e enriquecidas pela influência das organizações operarias (partido, sindicatos) e progressistas, são fiadoras de um ambiente político que possibilita a referenciação da imprensa a sectores político-económicos bem definidos, bem como o desenvolvimento da luta ideológica entre campos-políticos antagónicos, de que este texto de Aimé Guedj é um exemplo.
Em Portugal, a solução dos problemas que afectavam o processo de acumulação capitalista "encontraram-na” as classes dominantes passando pela supressão das liberdades fundamentais, desmantelamento das organizações em que as classes trabalhadoras se enquadravam para defesa dos seus interesses, além de outras medidas de reajustamento do aparelho de Estado aos "altos interesses do país”. A existência da censura e o controle sobre os órgãos de informação, na generalidade, pelos grupos financeiros condiciona a imprensa a um tipo de análise dos factos coincidente com a do regime (podendo, em certos casos, surgir formas mitigadas de desvios a este monolitismo da informação).
Demarcadas algumas diferenças existentes entre a situação da imprensa em França e em Portugal, apresentamos o texto cujo objectivo é a desmistificação de um tipo de imprensa que se apresenta objectiva, neutral e descomprometida, demonstrando que toda a informação se encontra invariavelmente ligada a interesses de classe.

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