sábado, 4 de março de 2017

1972-03-00 - Boletim Nº 01 - Cons. Repú. - Movimento Estudantil

EDITORIAL

     Em Portugal, neste momento ninguém ousará negar (se há alguém, sabemos bem como é) uma verdade indesmentível, porque realidade: - por um lado, não existe a possibilidade de exercer um dos inalienáveis direitos humanos – a expressão de pensamento; - por outro lado, outro desses direitos também nos é cerceado – uma informação autêntica não chega até nós.
O Conselho de Republicas sabe que esse é o resultado consequente de uma determinada disposição do poder económico e político no xadrez social português. E porque sabe isso bem, não irá (se pensasse o contrário estaria a ser ingénuo) solucionar a crise dos direitos do homem em Portugal e assim não tentará “preencher lacunas duma imprensa deformadora e alheia à problemática nacional, aos seus aspectos sociais, políticos, económicos, culturais, desportivos, etc.”. No entanto, conhecendo todas as limitações, desde logo, as dificuldades técnicas e a pouca experiência, e apesar delas, o Conselho das Repúblicas pensa poder tentar contribuir para uma IMPRENSA LIVRE (como a arbitrariedade é rainha, aqui surgem mais limitações que de tão evidentes dispensam ser mencionadas).
E como estamos em Coimbra, algo mais se deverá dizer, até porque em relação ao Movimento Estudantil, o Conselho das Repúblicas já desempenhou um papel. Ora neste momento, o Conselho das Repúblicas sabe aquilo que não deverá fazer e aquilo que poderá fazer. Por um lado, conhece bem a situação da Academia de Coimbra e sabe que os estudantes conquistaram dentro do seu campo específico de actividade (as escolas) formas de organização mais fortes porque mais ligadas aos estudantes. Surgiram novas estruturas vindas directamente da massa estudantil. Os órgãos dirigentes são eleitos de uma maneira o mais amplamente democrática possível. Os estudantes de Coimbra só consideram seus, os dirigentes eleitos por aquele processo. O Conselho das Repúblicas chegou à mesma conclusão e, por isso não reivindica, desde 69, qualquer papel de líder do Movimento Estudantil. Sabe, portanto, que se novas estruturas são legitimamente as únicas, de facto e de direito, representativas dos estudantes. Por tudo isso, o Conselho das Repúblicas não pretende substituir quem quer que seja. Por outro lado, sabe que algo poderá fazer.
E por isso, o boletim, o meter ombros a uma iniciativa que vencerá ou não, conforme haja ou não, pessoas que achem tal iniciativa, como uma oportunidade a aproveitar. O boletim não concorrerá contra qualquer imprensa. Limitar-se-á a oferecer as suas folhas a todos aqueles que possam contribuir para uma abordagem de problemas, para um seu melhor esclarecimento, ao fim e ao cabo, para uma maior consciencialização.
As ambições não são grandes. O boletim só poderá ser, o que for a participação das pessoas. No entanto, o Conselho das Repúblicas tem a garantia de que uma colaboração não faltará – a colaboração das pessoas mais conscientes, das mais responsáveis, das conhecedoras de que, pelo menos, têm um dever a cumprir: não fazemos monopólio dos conhecimentos que já adquiriram. Assim. O Conselho das Repúblicas tem uma certeza – o boletim será uma exposição-discussão de ideias, das quais resultará uma maior mentalização.
O Conselho das Repúblicas está resolvido a lutar por uma imprensa livre.
O Conselho das Repúblicas vai apostar no boletim.
Haja mais alguém que o faça também.

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