terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

1977-02-28 - binómio - III Série - Suplemento -Associações de Estudantes - AE IST

Porque este atentado?

Integrado numa série de atentados bombistas como "represália" por ainda estarem presos alguns das dezenas de fascistas que em todo o País tem lançado ataques terroristas contra pessoas, organizações políticas e sindicais, um bando provocador colocou na AEIST uma bomba de elevada potência que destruiu parte significativa das instalações da Cantina, serviços administrativos e um número elevado de portas e vidros.
A CANTINA ENCONTRA-SE PARALIZADA POR TEMPO INDETERMINADO.
O facto do rebentamento da bomba somente se ter verificado na 6a feira a noite impede-nos de ter desde já uma previsão exacta da demora no processo de reparação do material danificado do qual salientamos o quadro eléctrico da Cantina, cuja complexidade impede que seja pura e simplesmente substituído e cuja danificação implica a impossibilidade de utilização das câmaras frigoríficas bem como de outras máquinas perfeitamente indispensáveis para o funcionamento da mesma.
A direcção da AEIST manterá durante este período de paralização da Cantina um serviço de Bar reforçado não só em número de pessoas mas também na quantidade e qualidade dos géneros ai consumidos no sentido de minorar os prejuízos em tempo e dinheiro que deslocações a outras Cantinas necessariamente implicam.
EXIGIR PROVIDENCIAS IMEDIATAS AO GOVERNO:
Nem os estudantes do Técnico são culpados por notórios bombistas como Mota Freitas e outros continuarem em liberdade, nem são logicamente responsáveis pelos estragos causados pela actividade criminosa de estes terroristas. Como tal e independentemente da já crónica má situação financeira da AEIST, a direcção da Associação irá hoje mesmo (2a feira) tentar obter uma entrevista com o Director-Geral do Ensino Superior para que o MEIC e o Governo tomem providências imediatas no sentido da prisão e julgamento exemplar dos bombistas, bem como da cobertura financeira dos estragos causados que numa primeira previsão deverão orçar mais de 200 contos.
ENTRETANTO RUI GOMES PERMANECE PRESO...
0 Governo longe de prender e julgar exemplar mente os PIDES e bombistas permite-lhes agir em plena liberdade atentando contra vidas e bens já que só por mero acaso não se verificaram desastres pessoais dada a hora e local do rebentamento da bomba. Entretanto e por estranho que pareça permanece na cadeia de Caxias à cerca de ano e meio o colega RUI GOMES, ex-dirigente associativo do MAEESL, que no tempo do fascismo foi perseguido pela PIDE e que hoje continua encarcerado ao fim de todo este tempo, sem julgamento nem culpa formada ao abrigo do Código de Justiça Militar fascista.
REFORÇAR O M.A.:
RESPOSTA A TODOS OS ATAQUES.
As forças reaccionárias desde hã muito têm tentado aniquilar o Movimento Associativo. Antes do 25 de Abril era a repressão policial, as prisões, medidas disciplinares, etc. Paralelamente dentro da escola elementos ligados à organização fascista "FRENTE UNIVERSITÁRIA", tentavam no seio dos estudantes aquilo que a repressão não conseguia: quebrar a sua unidade, desviá-los da luta pela democracia nas escolas e pelo derrube da ditadura fascista.
Hoje, as duas faces da mesma moeda mantém-se ainda que ligeiramente modificadas: os fascistas abertos atacam à bomba, os velados tentam desacreditar as estruturas associativas, objectivo que nem o seu grande "ar democrático" e "anti-golpismos minoritários" consegue esconder, já que na realidade agitam promessas demagógicas e iludem os estudantes somente com o objectivo de os afastar das estruturas associativas e veicular a ideia de que minorias iluminadas irão resolver os problemas estudantis.
A SOLIDARIEDADE DE OUTRAS AAEE.
Desde as primeiras horas após o rebentamento da bomba, diversas AAEE deram um exemplo significativo de quanto pode a solidariedade estudantil: pouco depois da meia-noite já se encontravam ao dispor da AEIST as câmaras frigoríficas da Associação de Económicas, o que permitiu deste modo que as centenas de quilos de carne e peixe que na AEIST se encontravam armazenadas pudessem ser salvos de destruição certa, já que as nossas ca­maras haviam ficado inutilizadas com a destruição do quadro eléctrico. Entretanto muitas outras AEs expressaram o seu repúdio pelo presente atentado tendo subscrito um comunicado cuja distribuição se prevê para breve. A contrariar esta nota de solidariedade, a posição da direcção da Associação da Faculdade de Direito de Lisboa que se recusou a subscrever idêntica posição, abrindo assim graves dúvidas quanto à sua posição face ao atentado.

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