quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

1977-02-23 - Luta Popular Nº 523 - PCTP/MRPP

Governo proíbe a salda do «Luta Popular» ao «Jornal do Comercio»)
A CLASSE OPERARIA NÃO DOBRA A CERVIZ!

Curiosa atitude esta a de um governo de lacaios pensar que pode tratar o Partido dos operários da mesma forma como a ele o tratam os partidos dos patrões. Estulta pretensão, própria de vendilhões e impotentes sem vergonha, a de supor ser possível fazer vergar os autênticos comunistas de alguma forma, quanto mais com chantagens e ultimatuns económicos sobre o nosso Jornal!
Na passada 2ª feira, directamente do gabinete desse tristemente alegre poetastro reaccionário que o governo da pequena burguesia emputeira em bobo-mor para a «informação» da contra-revolução, veio, finalmente, o que desejávamos ficasse claro.
— O governo confirma as instruções à Administração do «Século»-SNT, para violar grosseiramente o contrato actualmente em vigor com o «Luta Popular», impondo pela feitura do nosso jornal no «Jornal do Comércio» um aumento de 50% no preço (como nos disse o presidente do Conselho de Administração do «J.C.», levam-nos um preço equivalente ao triplo da tiragem do jornal) e o triplicar da prestação semanal actualmente em vigor e também constante do contrato;
— O governo confirma as instruções dadas aos seus poden­gos da Administração do «Jornal do Comércio» no sentido de organizar de forma sistemática o boicote à saída do «Luta Popular» e à liquidação do seu carácter diário;
— O governo declara com aquela pompa balofa com que o poetrastro costuma pousar para o fotógrafo que se nós não aceitarmos tais ditames, se nós até hoje quarta-feira, não pagarmos pontual, integralmente, caninamente ao «Jornal do Comércio» (através da Administração do «Século»-SNT) o preço chorudo do seu boicote — que ordena a cessação da feitura do «Luta Popular» na sua tipografia. Ou seja, se nós não rastejarmos, como eles: não nos vendermos, como eles; não mergulharmos na lama onde eles, pequeno-burgueses poltrões, se arrastam a soldo do capital, onde eles saltitam para merecer o ossito com que lhes acenam fascistas e social-fascistas — impedem a saída do nosso jornal.
Não cederemos, sr. poeta! Essa é a nossa resposta!
E aproveitamos a ocasião para esclarecer o governo de cobradores, fiscais e polícias dos monopólios públicos e privados, que a classe operária portuguesa já travou mil combates, já removeu mil montanhas, já furou mil cercos para salvaguardar e edificar o órgão Central do seu Partido de classe próprio. Enfrentou vitoriosamente a pide antes do 25 de Abril, as suspensões e multas de Spínolas e Jesuínos após aquela data, os assaltos e saque social-fascista às sedes do Partido em Maio de 1975, o primeiro grande cerco económico, logo após o 25 de Novembro, aquando da primeira tentativa da partilha da «informação» entre os diversos sectores da burguesia apadrinhada pelos «socialistas», e uma guerrilha de classe diária, permanente, constante, em todos os pequenos actos da sua feitura, impressão e distribuição — tudo num esforço heróico e titânico para poder falar com a sua voz autónoma!
Se o sr. Alegre e todos os contentes que com ele compõem essa medíocre coorte de valetes do grande capital, a que por gentileza de alguns se vai chamando governo, quiserem saber da disposição que anima o proletariado português e o seu Partido de classe, no dia em que decretam a proibição da feitura do «Luta Popular» nas suas tipografias, dir-lhe-emos que precisamente hoje em que o seu jornal diário sofre o mais rude concentrado ataque da burguesia, em que é proibido de se imprimir nas tipografias do Governo, que precisamente hoje a classe operária e o povo erguem mais alto a bandeira da luta preparando-se para alcançar e ultrapassar o objectivo de Campanha de Fundos de Apoio ao seu Órgão Central!
Não ajoelharemos senhor poeta alegre!
Não só nunca o fizemos, porque nas questões de princípio somos duma dureza cuja têmpera já quebrou as dentaduras de virias gerações políticas de contra-revolucionários bem mais coreáceos que a pastusidade constitucional da «Coisa Amar» feita governo, mas também, porque como sempre acontece, tal petição inadmissível nada resolveria. Porque o que se esconde por sob as quebras de contrato, as golpaças, as mentiras, a típica falta de idoneidade e de vergonha da pequena burguesia dúplice e cobarde, é um plano de grande alcance do grande capital que este encarregou o seu poeta de declamar sob o nome de «Reestruturação da Imprensa». É o plano de partilha do monopólio da «informação» pública e privada por fascistas e social-fascistas: imprensa estatizada para a «maioria de esquerda», sob a égide do P«C»P, o grosso da imprensa privada para o grande capital privado — em ambos os casos o Estado garantindo tal monopólio tanto através dos chorudos subsídios, fornecimento de papel, distribuição de parques gráficos... etc., como pela proibição na prática da existência de qualquer forma de expressão democrática, anti-fascista e anti-social-fascista.
O sentido do encerramento da SNT é pois não só o de impedir a saída de um jornal -  «O Século» - que fugia ainda, e em certa medida, ao controlo dos dois sectores da contra-revolução, como, principalmente, o de impedir, a todo o custo, a publicação do jornal dos operários, do jornal dos comunistas, do «Luta Popular».
Procurar silenciar a voz do proletariado revolucionário no momento em que, para fazer face ao novo auge do movimento das massas, a burguesia prepara e reparte entre si o aparelho de propaganda da contra-revolução — eis o real sentido da medida tomada contra o «Luta Popular».
A recusa de cedermos à chantagem significa a nossa denúncia desta situação e expressa a firme determinação da vanguarda da classe operária de travar este combate na perspectiva que ele prepara e encerra uma dura batalha de classe de bem maior alcance. A nossa resposta a esta tentativa de liquidação significa que os comunistas compreendem que, como sempre, os grandes ataques à classe operária são precedidos dos ataques à sua cabeça, ao seu Partido e que, face a eles a massa dos operários deve desde logo cerrar fileiras e, unir-se como uma rocha em torno do seu sector de vanguarda pois são os seus interesses fundamentais que estão na verdade ameaçados.
Amanhã o nosso jornal não sai no «Jornal do Comércio» dada a proibição do Governo. A luta pela salvaguarda do «Luta Popular» diário e contra a tentativa de cerco do capital, vai intensificar-se e conhecer uma fase de nova agudização. Essa é uma luta de toda a classe operária e de todo o povo. O nosso Partido deve cerrar fileiras para mais esta dura batalha de classe! Deve intensificar e generalizar nas fábricas, nos campos, nas escolas, nas ruas, a denúncia da presente situação! Deve aplicar as Teses sobre a Imprensa do Partido, pagando integral e pontualmente o jornal, duplicando a sua venda militante a despeito dos atrasos motivados pelos boicotes e comunicando os dados dessa venda real, intensificando a correspondência e mobilizando-se inteiramente para o cumprimento das três campanhas da ofensiva política do Partido.
O jornal que a burguesia quer silenciar é o jornal dos operários e de todos os explorados. O jornal da Verdade. Sem ele, mesmo os proletários que não concordam ou não simpatizam com o nosso Partido e o que diz o seu jornal sentem que ficarão mais pobres e menos defendidos, o movimento de apoio e salvaguarda do «Luta Popular» diário que se deve erguer, no espírito da campanha «Fundos do Povo para o Jornal da Verdade», deve exactamente saber chamar a ampla massa do povo trabalhador a defender um bem que lhe é precioso: a sua voz própria e autónoma.
Sr. Alegre, srs. ministros.
Sabei que contra vós, contra os vossos patrões e as vossas polícias, contra as vossas tipografias e os vossos monopólios do papel, o nosso órgão Central permanecerá de pé e o nosso Partido levará a cabo o plano traçado ao lançar a Campanha de Fundos.
Porque o povo não verga, o proletariado não baixa a cabeça, a classe operária não dobra a serviz!
Venceremos, porque o Povo vencerá!

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