quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

1977-02-22 - AO POVO DA QUINTA DO MORGADO - Comissões de Moradores

AO POVO DA QUINTA DO MORGADO

No passado fim de semana o Povo do nosso bairro levantou-se decididamente contra mais uma injustiça da câmara, que pretende amontoar mais alguns prédios (4) mais algumas pessoas. E isto num local óptimo para a instalação de um parque (infantil), onde as nossas crianças, possam passar os seus tempos livres, sem estarem expostas aos perigos da rua.
A Câmara e a Junta estão contra as decisões do povo e pretendem impor a sua vontade através dos terroristas da PSP e de alguns lacaios infiltrados naquilo que nos devia defender a Comissão de Moradores. Todos eles irmanados na sua luta contra o povo.
A Comissão de Moradores até agora não defendeu no mínimo que fosse os interesses do povo e está contra algumas das iniciativas como por exemplo no caso das caves, em que alguns elementos estão de acordo com a Câmara no pagamento de uma renda, e nem sequer se preocupa em consultar os moradores fazendo tudo nas suas costas, ao ponto de se reunirem à porta fechada e proibirem a entrada de qualquer pessoa que quizesse assistir. Será que estão a tratar dos problemas a favor ou contra os interesses do povo?
É esta mesma Comissão que sendo informada pelo Director do Gabinete Técnico de Habitação (GTH), dos aumentos das rendas de casa para todo o povo que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) prepara para breve, não tomam qualquer posição face à mesma, no sentido de auscultar a opinião do povo do nosso bairro, demonstrando assim pelo (silêncio) estar de acordo com mais esta medida anti-popular.
Será a preparar a desocupação de 17 famílias do bairro que esta CM defende os interesses do povo?
Quanto às contas dos "Santos Populares", cá os esperamos no plenário.
Para que o povo possa prosseguir os seus objectivos terá de se mobilizar e exigir junto dos representantes da Câmara a - Junta da Freguesia -, a construção do parque infantil e dizer não à construção de quaisquer prédios naquele local.
Os moradores não estão contra a construção das casas, compreendem os casos graves que existem de desdobramentos. Mas também com pretendemos que não existem qualquer garantias que esses casos sejam resolvidos com essas construções e também sabem o que não querem que o nosso bairro seja: um amontoado de casas só para despachar casos de desdobramentos sem as mínimas condições de convívio entre as pessoas, um bairro onde as crianças andem expostas na rua a qualquer perigo onde os deficientes e os reformados não tenham as condições para repousar.
Mas é claro que também neste caso alguns elementos da CM tentando levar a sua avante, (pobres loucos) tentaram comprar algumas pessoas que estavam (e estão) contra a construção das casas naquele local, da seguinte maneira;
Se essas pessoas deixassem de dizer que não queriam os prédios naquele local e passarem a dizer o contrário, quando os mesmos fossem construídos lhes davam uma casa. A uma mulher do povo chegaram ao ponto de, dizer lhe que a punham à cabeça da lista para as casas.
Para que o povo possa prosseguir vitoriosamente os seus objectivos contra todos os oportunistas e traidores terá que, se mobilizar e exigir junto dos representantes da Câmara a construção do parque infantil (Naquele local) e ao mesmo tempo que os mesmos comecem a construção imediata dos quatro (4) prédios noutro lugar.
Para isso o povo presente no último domingo no local decidiram marcar uma nova concentração para exigir à junta o cumprimento das nossas reivindicações.

TODOS A CONCENTRAÇÃO!
QUARTA-FEIRA ÀS 19 HORAS JUNTO ÀS TORRES DO RALIS

- EM FRENTE PELA CONSTRUÇÃO DO PARQUE INFANTIL!
- O POVO QUER AS CASAS MAS NÃO NAQUELE LUGAR!
- VIVAM AS COMISSÕES DE MORADORES FORA COM OS TRAIDORES!

Lisboa, 22 de Fevereiro de 1977
UM GRUPO DE MORADORES

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