sábado, 18 de fevereiro de 2017

1977-02-18 - COMUNICADO aos Trabalhadores da «Lisnave» - PCP

COMUNICADO aos Trabalhadores da «Lisnave»

No dia 6 de Fevereiro de 1977, reuniu no Pavilhão da Romeira, a Assembleia de Organização da Célula da Lisnave do Partido Comunista Português, para apresentação do Relatório de Actividade e Eleição do novo Secretariado Geral de Célula.
Nesta reunião estiveram presentes 300 delegados e como convidados largas dezenas de trabalhadores, da Lisnave e de outras empresas, assim como também camaradas das colectividades e das comissões de moradores. A Assembleia contou ainda com a presença do camarada Jaime Serra, da Comissão Política do Comité Central, um camarada da Dors, um camarada da Comissão Concelhia de Almada e os representantes do «Avante», do «O Diário» e do «Diário de Lisboa».
O Secretariado da célula cessante, iniciou a Assembleia apresentando uma tese em que se analisam o trabalho realizado pela Célula: na organização, no trabalho de alianças; nos organismos de coordenação de actividade Unitária nos organismos dos trabalhadores da empresa e do ramo da Indústria Naval; na informação e propaganda e outros sectores respeitantes à vida do Partido.
Seguiram-se intervenções do secretariado, que focaram em pormenor as questões apresentadas no relatório. Quanto à organização e informação e propaganda ficou visto: a necessidade de trazer mais trabalhadores à organização do Partido; a necessidade de melhorar o trabalho de propaganda através da venda do «Avante», «Militante», de todos os materiais do Partido e regular a saída de comunicados da célula; melhorar o trabalho ideológico dos militantes, levando-os a frequentar os cursos marxistas-leninistas e promover actividades de carácter cultural tais como: cinema, teatro, canto livre, leituras colectivas e orientadas, etc. No tocante ao trabalho da célula nos organismos de coordenação de actividade unitária e na dinamização da campanha de apoio à Reforma Agrária ficou visto continuar com o actual processo de trabalho: Organizados em núcleos, os militantes, irão por esta forma saber informar o Partido dos anseios dos trabalhadores e encontrar soluções colectivas para os problemas que os órgãos dos trabalhadores terão de enfrentar. Continuar a dinamizar o trabalho nas cinturas industriais de Setúbal e de Lisboa; na coordenadora das Comissões de Trabalhadores do concelho de Almada e nos organismos sectoriais de actividade industrial, como sejam Coordenadora das Comissões de trabalhadores do Grupo CUF e os Centros de Coordenação da Indústria Naval e da Metalomecânica Pesada.
No ponto relativo às alianças de classe, foi visto que teremos de compreender melhor o nosso papel de vanguarda e quebrarmos o sectarismo ainda existente entre os nossos militantes. No estudo feito à Lisnave foi claramente analizado o boicote internacional desde Março e Setembro de 1976 lançado pelo imperialismo no cancelamento de 105 navios, na baixa do volume médio de reparações, por navio, de 11.500 contos em 1975 para 8.250 contos em 1976. Foi salientado ainda a enorme dificuldade financeira da Lisnave dada a elevada soma de dinheiro que os armadores lhe devem, as tentativas de recuperar a cobertura dada pelo Administrador-delegado, as acções sabotadoras dos Mellos (casos do contrato com a Polónia e a questão da thyssen). Como perspectivas de trabalho neste campo foi aprovado que se deveria exigir do Governo responsabilidades; que se deveria exigir que fosse posto em prática o decreto-lei 538/76 que cria o Centro de Coordenação da Indústria Naval; que fizessem funcionar o departamento do Comércio Externo para prospecção de novos mercados mais rentáveis para a economia nacional; que definisse uma política de criação progressiva de indústrias subsidiárias da Indústria Naval e que nacionalizasse os 12% de capital da Família Mello, na Lisnave.
Na Assembleia de Organização aprovaram-se moções de felicitações: Ao Congresso da Frelimo; à Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses/Intersindical Nacional; à Direcção e ao Secretário Geral do nosso querido Partido; aos órgãos de Informação Democrática e uma moção dirigida ao Governo, ao Conselho da Revolução e ao Presidente da República em que se reclamava a nacionalização do capital dos Mellos na empresa, a aplicação do Plano de Reestruturação da Indústria Naval, como forma de retirar o poder de manobra dos Mellos neste sector, e garantir que a Indústria Naval seja posta ao serviço dos trabalhadores portugueses e do nosso país. Estas moções foram aprovadas por unanimidade e aclamação, assim como todos os documentos apresentados.
A 1.ª parte da Assembleia foi encerrada pelo camarada Jaime Serra, que após ter saudado a organização, salientou a necessidade de reforçar a organização dos trabalhadores, numa altura em que a crise económico-financeira, provocada pela política do Governo P.S. dá às forças de direita oportunidade de tentarem criar uma profunda crise social. Considerando justo e inevitável o descontentamento das camadas do povo português mais atingidas pela carestia de vida, sem que se vejam perspectivas de melhoria, o camarada Jaime Serra advertiu, no entanto, os trabalhadores para os perigos que «o uso irreflectido da grande força que tem o movimento popular» poderiam acarretar. Ao comentar ainda, as possíveis saídas para a crise, o camarada da Comissão Política, terminou afirmando que ela «só poderá ser resolvida com os trabalhadores, embora haja quem pretenda resolvê-la contra os trabalhadores».
A 2.a parte da Assembleia foi dedicada à apresentação e discussão do novo Secretariado-Geral da Célula da Lisnave, que foi aprovado por unanimidade e aclamação, e cuja composição a seguir se apresenta:
COMPOSIÇÃO DO SECRETARIADO GERAL DA CÉLULA DA LISNAVE DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Angélica Serrão — (31 anos)
Auxiliar de Cozinha do Refeitório Central
João Ferreira — (44 anos)
Preparador das instalações volantes
José Gomes — (37 anos)
Mestre de tráfego local
António Santos — (33 anos)
Condutor
Soeiro de Almeida — (33 anos)
Engenheiro técnico
Jaime Freitas — (50 anos)
Controlador de qualidade
Miguel Canudo — (22 anos)
Serralheiro/Montador
Álvaro Costa — (23 anos)
Serralheiro montador
António Madeira — (30 anos)
Serralheiro/Caldeiras
José Serra — (36 anos)
Marinheiro
Arnaldo Geraldo — (29 anos)
Marinheiro
Joaquim Feliciano — (30 anos)
Soldador
Jorge Durães — (32 anos)
Serralheiro mecânico
Armando Valentim — (27 anos)
Preparador
Fernando Parreira — (27 anos)
Preparador
Domingos Condeças — (38 anos)
Operário chefe
Carlos Sousa — (25 anos)
Empregado de escritório
Maria de Fátima — (28 anos)
Escriturária
José Sousa — (24 anos)
Empregado de escritório
Américo Dias — (31 anos)
Serralheiro civil
Vasco Ciríaco — (28 anos)
Técnico de electrónica
António Risso — (23 anos)
Soldador
Joaquim Rodrigues — (27 anos)
Serralheiro montador
Mário Correia — (33 anos)
Serralheiro mecânico
Luís Barreiro — (26 anos)
Apontador
João Garcia — (31 anos)
Engenheiro técnico
Fernando Bernardes — (47 anos)
Engenheiro
Joaquim Simões — (29 anos)
Torneiro mecânico (Rocha)
Silvino Quaresma — (37 anos)
Apontador
Carlos Mateus — (23 anos)
Controlador de bordo
Joaquim Guerreiro — (38 anos)
Operário chefe
Paulino dos Santos — (34 anos)
Lubrificador de guindastes
José Peneira — (36 anos) Doqueiro
Abraul Augusto — (38 anos)
Serralheiro mecânico
A Comissão Concelhia de Almada do Partido Comunista Português saúda calorosamente todos os militantes da Célula da Lisnave pelo bom trabalho desenvolvido e deseja ao novo Secretariado grandes êxitos nas acções que vier a tomar.

Almada, 18 de Fevereiro de 1977
A Comissão Concelhia de Almada do Partido Comunista Português

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