terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

1977-02-14 - O Estado e a revolução Nº 02 - PCP(ml)

A GREVE NA FUNÇÃO PÚBLICA PROMOVIDA PELOS SOCIAIS-FASCISTAS É CONTRA OS INTERESSES NACIONAIS

A função pública foi sempre um sector em desvantagem relativamente ao sector privado. Na função pública, os salários são mais baixos que em grande número das empresas privadas, não existindo critérios justos e objectivos no que respeita a promoções e reclassificações. A segurança social está muito aquém das reais necessidades e ainda em desvantagem em relação ao sector privado.
É por isso que os funcionários públicos muito justamente querem acabar com esta situação.
A lógica do Governo, ao dar 15 por cento de aumento a todos os funcionários públicos, equivale a dar mais aos que já ganham melhor. É a lógica normal de um governo burguês. Contudo, é ao mesmo tempo uma necessidade para atenuar a absorção dos técnicos qualificados pelo sector privado, já que aí são mais bem pagos. Também em relação aos técnicos da função pública, é grande a desproporção dos seus ordenados em relação ao que se paga no estrangeiro.
A medida governamental vem no sentido de atrair e conservar os técnicos no sector estatal, onde são necessários, apesar de haver no meio deles incompetentes que «subiram». Deve-se pois, a curto prazo, levar a cabo uma reclassificação baseada em critérios justos e de acordo com os interesses nacionais.
Nós defendemos a não existência de grande leque salarial. Mas, por outro lado, não somos pelo igualitarismo, uma vez que isso é utópico e demagógico. Nem no socialismo a igualdade absoluta existe.
Ao pretenderem aumento igual para todos - 2 mil escudos os reaccionários da direcção do Sindicato da Função Pública e suas marionetes, aproveitando-se de uma aspiração dos funcionários públicos por melhores regalias, estão a fazer demagogia pois, com a actual crise económica, não existe verba para esse aumento.
Nós não queremos enganar os funcionários públicos. Mas temos consciência da crise económica, embora fosse mais «simpático» dizer que íamos lutar por salários elevados. Só se quiséssemos que o Governo, depois de pedir milhões aos americanos, fosse pedir à URSS mais um empréstimo para pagar o aumento!
O que está por detrás da greve do dia 15 promovida pelos lacaios de Brejnev - aqueles que dizem que a «URSS e o sol do nosso planeta» - não é a defesa da melhoria das condições de vida dos trabalhadores. O que eles querem é fazer barulho e fomentar a instabilidade política, mostrando-se «amigos» dos trabalhadores.

O que pretendem os lacaios de Brejnev?
Assim, num comunicado de 4 de Fevereiro das direcções sindicais e comissões directivas dos vários sindicatos da Função Pública, já não falam sequer do aumento de 2 mil escudos, nem apresentam medidas para negociar com o Governo a melhoria das condições de vida dos funcionários públicos mais mal pagos. Neste comunicado apenas fazem finca-pé na greve política do dia 15, argumentando que o aumento «não foi discutido pelos trabalhadores», arvorando-se em «campeões da democracia». Mas o objectivo deles é bem claro. O agudizar da crise e a instabilidade política, sendo a greve do dia 15 um dos vários aspectos da ofensiva contra a democracia que os sociais-fascistas têm levado a cabo no nosso País. Tudo para fazer de Portugal mais um satélite do «Sol que é a URSS».

Isolemos os sociais-fascistas
As posições a tomar pelos funcionários públicos deverão sei fruto de discussão nos locais de trabalho sobre o significado desta greve política reaccionária. É preciso distinguir, por um lado, quem defende os interesses do povo português, incluindo os dos funcionários públicos e, por outro, quem manobra os trabalhadores fazendo-se seu «amigo» mas levando-os, contudo, a caminhar para um fosso muito mais fundo. Os funcionários públicos patriotas e democratas não se devem deixar embalar pelas bonitas palavras destes reaccionários, perdendo a sua independência política, pondo-se a reboque dos seus piores inimigos. Se os trabalhadores portugueses seguissem todos os indivíduos que lhes acenam com mais dinheiro e mais greves, e é muito fácil «oferecer» dada a actual fragilidade económica do nosso País, estaríamos daqui a pouco tempo no fascismo à Cunhal ou à Marcelo. Ainda ninguém se esqueceu que os golpistas que agora se armam em «amigos de Peniche» dos funcionários públicos, não tiveram, no tempo de Vasco Gonçalves, a mesma iniciativa que têm hoje.
Os funcionários públicos têm de saber encarar a realidade e ver a quem serve politicamente esta greve. Os funcionários públicos têm que pensar e não podem ser rebanho, muito menos aceitar um pastor social-fascista.
A política tem de estar no posto de comando.
As lutas a desenvolver deverão ter em linha de conta, não os interesses partidários, mas sim os interesses nacionais. É preciso, pois, isolar os reaccionários cunhalistas e seus lacaios, promovendo discussões nos locais de trabalho em que participe o maior número de pessoas.
Nos locais onde a greve reaccionária foi discutida, os sociais-fascistas têm sido isolados, tendo chegado a sair das assembleias, por se sentirem desmascarados.

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