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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

1977-02-14 - O Comunista Nº 31 - II Série - UCRP(ml)

II CONGRESSO DA INTERSINDICAL:
Ao serviço da «maioria de esquerda»

A UCRP(m-l) promoveu, no passado dia 4, uma conferência de Imprensa a propósito do II Congresso da Intersindical. Os camaradas presentes fizeram ressaltar que o Congresso confirmou integralmente a justeza das posições já anteriormente definidas pela nossa Organização, que temos vindo a divulgar. Denunciaram em particular que, sob a capa da «democracia» e da «unidade», o Congresso consagrou a subordinação da Intersindical à estratégia anti-operária, antidemocrática e antinacional do partido social-fascista de Cunhal, e em particular à sua actual táctica da «maioria de esquerda». Referiram-se também às actuais perspectivas da luta por uma Central Sindical Única, Democrática, Independente e de Classe. Transcrevemos de seguida, na íntegra, a intervenção do camarada António Proença, do Departamento do Trabalho Sindical do Comité Central:
Há cerca de uma semana realizou-se em Lisboa o II Congresso da Intersindical. Ele foi um acontecimento de grande importância para o futuro do Movimento Sindical Português, que os Comunistas autênticos, os revolucionários e democratas, souberam utilizar como uma tribuna de combate pelas reivindicações económicas e políticas dos trabalhadores, pela democracia e unidade do movimento sindical, pela defesa das conquistas democráticas e pela Independência Nacional, por uma Central Sindical Única, Democrática, Independente de Classe.
Deste modo se opuseram claramente à actuação do partido social-fascista de Cunhal que vem exercendo a sua dominação antioperária, antidemocrática e antinacional nos sindicatos e que através deste Congresso procurou impor ao Movimento Sindical a sua linha social-fascista e arrastar milhares de militantes sindicais e as massas trabalhadoras a reboque da sua política de traição expressa nas teses da CNOC e que são a cópia fiel das resoluções do último Congresso desse Partido no domínio sindical.
A UCRP(m-l) alertou com insistência os trabalhadores durante a realização e preparação deste Congresso contra as manobras antidemocráticas do Secretariado da Intersindical e da CNOC considerando justamente os seus participantes como um punhado de burocratas sindicais, ao serviço do partido social-fascista de Cunhal que se diz «comunista» e «socialista».
Sabemos que hoje muitos operários, muitos trabalhadores não pensam ainda como nós. Eles pensam que o chamado PCP é um partido comunista e não um partido burguês socialista em palavras e fascista na realidade e que os seus homens de mão nos sindicatos e na Intersindical estão ao lado dos operários e não contra eles. Nós respeitamos a opinião destes trabalhadores e não procuramos impor a nossa opinião à força de ameaças, de calúnias, de demagogia e do cacete como fazem os cunhalistas. Nós temos confiança na classe operária e nos trabalhadores portugueses e sabemos que mais tarde ou mais cedo eles compreenderão o carácter antioperário antidemocrático e antinacional do partido de Cunhal pois também nós precisamos de algum tempo para compreendermos as coisas como elas são. Nós sabemos que mais tarde ou mais cedo os trabalhadores que tal como nós querem a Independência Nacional, a Liberdade e a Revolução hão-de varrer dos seus Sindicatos e Organizações de classe os caciques social-fascistas.
1 - Porque participámos no II Congresso da Intersindical
A UCRP(m-l) não reconhece esse Congresso como um Congresso Democrático de todos os Sindicatos Portugueses nem tão pouco as suas resoluções resultantes da hegemonia social-fascista e da falta de democracia que se manifestou ao longo da sua preparação e realização. No entanto, tendo em conta a larga mobilização de militantes sindicais e de trabalhadores em torno do Congresso, a UCRP(m-l) apelou a todos os revolucionários e democratas que nele participassem denunciando as actividades dos caciques sindicais cunhalistas em particular do Secretariado da Inter e da CNOC a fim de levarem as massas trabalhadoras pela sua própria experiência, à compreensão de que o Congresso em marcha não passava de mais uma fantochada destinada a servir o social-fascismo e o social-imperialismo russo e não era um Congresso democrático de todos os sindicatos.
Nesse sentido, apelou à mais ampla frente de oposição no Congresso de todos os sindicalistas revolucionários e democratas para que o utilizassem como uma tribuna de luta em defesa das reivindicações dos trabalhadores, da Unidade e Democracia do Movimento Sindical e de uma Central Sindical Única, Democrática, Independente e de Classe.
2 — Repudiando os esforços de certas forças políticas sociais-democratas de formarem uma nova Central Sindical a partir de um punhado de Sindicatos de serviços que actualmente se reúnem em torno da chamada Carta Aberta, a UCRP(m-l) alertou para o facto da formação de nova Central Sindical enfraquecer a oposição de todos os revolucionários e democratas no seio do Congresso e da Intersindical, abrindo o caminho a perigosas divisões com graves consequências futuras para o Movimento Operário e Popular não correspondendo às aspirações das massas trabalhadoras.
Ao contrário do que afirmam os lacaios de Cunhal da UDP/PCP«R» que atribuem a principal responsabilidade da cisão no Movimento Sindical aos Sindicatos da Carta Aberta nós consideramos que os principais fautores da divisão têm sido os social-fascistas ao imporem ao Movimento Sindical um Congresso antidemocrático.
É de notar que o partido de Cunhal abandonou ultimamente a sua reivindicação de unicidade na lei que foi durante muito tempo o seu principal cavalo de batalha pois tem estado mais interessado na cisão, do que em enfrentar uma ampla frente democrática no seio do Congresso e da Intersindical que nós apontamos como única posição justa capaz de contribuir para a transformação do Movimento Sindical.
3 — Nós consideramos que a luta no Congresso deveria realizar-se em torno de um programa que apresentasse uma verdadeira alternativa às teses apresentadas pelo CNOC. Nesse sentido apoiámos as teses defendidas pelo Sindicato de Ourivesaria e Relojoaria do Sul, tendo igualmente em conta a tradição de luta decidida e firme desse Sindicato contra a ditadura social-fascista na Intersindical e por uma verdadeira Central Sindical Única, Democrática, Independente e de Classe dos Trabalhadores Portugueses.
A realidade demonstrou a justeza da nossa posição uma vez que foi esse Sindicato que encabeçou firme e corajosamente a luta contra as manobras antidemocráticas que se verificaram no decorrer da preparação e realização do Congresso defendendo as reivindicações dos trabalhadores a Unidade e Democracia no Movimento Sindical.
A actuação desse Sindicato granjeou justamente a simpatia de numerosos sindicalistas revolucionários e democratas que distribuíram as suas teses em vários sindicatos e empresas e que receberam o apoio de muitos trabalhadores onde tiveram a possibilidade de ser discutidas e confrontadas com as teses da CNOC.
4 — Porque consideramos nós que este Congresso foi an­tidemocrático:
a) A Comissão Organizadora (CNOC) era composta por caciques sindicais do partido social-fascista e por outros que lhe fazem o jogo que se prestaram ao papel repugnante de dar uma cor «democrática» à CNOC como Kalidás Barreto, Manuel Lopes e Arlindo Ribeiro.
Esta Comissão Organizadora que incluía o próprio Secretariado da Intersindical não passava de um punhado de inimigos ferozes da Democracia, Unidade e Independência do Movimento Sindical da Classe Operária e dos Trabalhadores e da Independência Nacional.
b) O Regulamento do Congresso era claramente antide­mocrático não permitindo que os trabalhadores portugueses pudessem discutir as teses apresentadas para o Congresso dos Sindicatos que se opunham à ditadura cunhalista no Movimento Sindical, nomeadamente aquelas que foram apresentadas pelo Sindicato de Ourivesaria e Relojoaria do Sul nem tão pouco das dos outros Sindicatos que apresentaram teses ao Congresso e que tinham divergências com as da CNOC.
c) O próprio regulamento da CNOC foi diversas vezes violado no decorrer da preparação e realização do Congresso.
d) O Congresso realizou-se sem a presença de diversos Sindicatos que se recusaram a combater pelas suas posições em face da falta de garantias de que elas fossem postas em pé de igualdade com as da CNOC perante os trabalhadores, nomeadamente os Sindicatos da chamada «Carta Aberta».
e) As teses ao Congresso apresentadas por diversos sindicatos que discordavam da orientação anterior da Intersindical não foram divulgadas previamente pela CNOC nem discutidas pelos trabalhadores.
Dum modo geral as únicas teses apresentadas nas assembleias onde as houve eram as da CNOC que editou um milhão de exemplares das suas teses. Em muitos casos foram recusadas moções de trabalhadores que exigiam a divulgação e discussão das outras teses. Citamos a título de exemplo o Sindicato dos Gráficos de Lisboa em que foi recusada uma moção nesse sentido assinada por mais de 100 trabalhadores, tendo acontecido coisas semelhantes em outros sindicatos.
f) As teses síntese em que deveriam constar as posições da CNOC e as alternativas não contemplaram as posições do Sindicato de Ourivesaria e Relojoaria do Sul que se opunham claramente à actuação do Secretariado da Intersindical/CNOC e apontavam um programa de luta pelas reivindicações de classe dos trabalhadores, por uma Central Sindical Única, Democrática, Independente e de Classe, pela defesa das conquistas democráticas e da Independência Nacional.
g) Muitos dos delegados presentes no Congresso não foram eleitos em assembleias pelos trabalhadores mas simplesmente nomeados pelas direcções sindicais.
h) No decorrer do Congresso os social-fascistas caluniaram e insultaram dirigentes sindicais com provas dadas na luta contra o fascismo e contra o social-fascismo, tentando em vão amedrontá-los e pressioná-los quando ousaram erguer a sua voz para denunciar o carácter antidemocrático do Congresso e os objectivos da CNOC de pretender transformar o Movimento Sindical num instrumento do social-fascismo e do social-imperialismo russo contra os interesses imediatos e futuros dos trabalhadores, contra a independência do nosso país e a liberdade do nosso povo.
Eis em resumo algumas das razões que nos levam a considerar este Congresso como antidemocrático e que nos levam a recusar as suas decisões.
5 — Queríamos também referir-nos à actuação da oposição que se manifestou no decorrer da preparação e realização deste Congresso às teses e à actuação da CNOC.
Por parte dos Sindicatos afectos ao PS verificamos uma oposição passiva à actuação social-fascista não tendo havido praticamente intervenções destes sindicalistas no decorrer do Congresso, o que consideramos errado pois não é dessa forma que defendem os trabalhadores e o Movimento Sindical.
Por outro lado os militantes sindicais afectos ao «PCP(R)»/UDP/GDUPs manifestaram a sua já esperada conciliação com os social-fascistas atraiçoando nesse aspecto os trabalhadores portugueses.
Além de terem participado na CNOC e de sabotarem nas empresas e sindicatos a frente da oposição às teses da CNOC eles tiveram no próprio Congresso uma actuação radical pequeno-burguesa marcada pelo revisionismo e o anarquismo. É o que se conclui de propostas como a de «Greve Geral Revolucionária» a pretexto de um golpe fascista, que serve o partido de Cunhal, no uso habitual da propaganda de golpes fascistas para esconder os seus próprios golpes.
Por outro lado as teses de sindicatos como o dos Rodoviários de Setúbal e das Bordadeiras da Madeira afectos à UDP PCP«R» não se demarcam das da CNOC e pelo contrário fazem a defesa das principais reivindicações políticas do partido de Cunhal.
 6 — O recente Congresso dos Sindicatos que nós consideramos um II Congresso da Intersindical não veio alterar no fundamental a situação do Movimento Sindical permanecendo à cabeça da Intersindical uma linha contrária aos interesses dos trabalhadores e que está ao serviço da estratégia do partido social-fascista.
A presença no Secretariado de Kalidás Barreto e a actuação de outros militantes do Partido Socialista mostram-nos claramente que o Congresso serviu a política de «maioria de esquerda» preconizada por Cunhal e que não passa de um trampolim para a sua ditadura social-fascista. Este Congresso consagrou a divisão das forças do PS no Movimento Sindical, colocando de um lado os Sindicatos da «Carta Aberta» e de outro os adeptos do PS da «maioria de esquerda» que fazem na CNOC e no Secretariado da Intersindical o jogo repugnante do social-fascismo.
7 — A luta que travámos no decorrer da preparação e realização do Congresso foi positiva. As posições que defendemos onde nos foi possível fazê-lo em termos democráticos tiveram o apoio dos trabalhadores que repudiam a ditadura dos cunhalistas nos Sindicatos, e na Intersindical. Em abono desta verdade, está também o resultado dos referendos feitos pelos Sindicatos da «Carta Aberta» embora consideremos errado que esses Sindicatos se tivessem recusado a lutar no Congresso.
8 — Nós esperamos que o sectarismo e a capitulação perante o social-fascismo manifestados por alguns sindicalistas neste Congresso e que tal como nós se opõem à ditadura social-fascista no Movimento Sindical sejam vencidos e que todos os revolucionários e democratas saibam unir-se em torno de princípios fundamentais no âmbito de uma frente de oposição anti-social-fascista nos Sindicatos e na Intersindical.
Os sindicatos revolucionários e democratas uma vez unidos em torno de uma linha justa conquistarão o apoio das massas trabalhadoras e serão elas quem decidirá o futuro do Movimento Sindical e não o punhado de reaccionários que dele se apoderou.
O descontentamento generalizado dos trabalhadores perante a ditadura cunhalista nos Sindicatos e a sua disposição de lhe pôr fim mostram que ela tem os dias contados e que a situação é excelente.
Os trabalhadores saberão arrancar os Sindicatos das mãos de Cunhal e Brejnev, colocando-os ao serviço dos seus próprios interesses de classe.
POR UMA FRENTE DE OPOSIÇÃO ANTI-SOCIAL-FASCISTA NA INTERSINDICAL!
NÃO AO PLURALISMO! NÃO À DITADURA DE CUNHAL NOS SINDICATOS!
POR UMA CENTRAL SINDICAL ÚNICA, DEMOCRÁTICA, INDEPENDENTE E DE CLASSE!

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