terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

1977-02-00 - JORNAL DA AEFEUP Nº 02 - Movimento Estudantil

EDITORIAL

Abrindo o primeiro número do que espera ser um jornal a sair regularmente, a Direcção da AEFEUP dedica este editorial ao que considera uma das conquistas fundamentais da escola depois do 25 de Abril - os MÉTODOS PEDAGÓGICOS. De facto, das diversas conquistas alcançadas, não temos dúvidas de que esta é das que mais se reflecte no dia a dia de todos os estudantes, a sua aplicação ou não é um problema do quotidiano de todos nós. A par da prática da democracia nas diversas estruturas que aqui têm funcionado, no MA e na gestão, o exercício de uma nova pedagogia teve um papel preponderante na transformação da Escola numa perspectiva de progresso, sendo gradualmente modificadas as relações docente-discente, criado um ambiente de trabalho diferente.
É assim que ao apreciarmos a situação que hoje se vive em diversos anos e cursos, não podemos deixar de manifestar as nossas apreensões. O fundamental da pedagogia que durante dois anos fomos construindo, a aquisição e avaliação contínua de conhecimentos, vem sofrendo desvios e ataques profundos, de tal modo que nesses anos e cursos, os intensos ritmos de trabalho impostos pela utilização repressiva do trabalho individual formal como factor de avaliação preponderante, a existência de aulas teóricas à moda antiga permitem concluir que o que se pratica aí pouco tem a ver com o espírito dos métodos pedagógicos em vigor. Subalternizando-se a importância do trabalho regular (colectivo) nas aulas, faz-se assim um convite mais ou menos subtil a uma forma de oportunismo pouco referida que constitui o estudo para um teste (frequência) três ou quatro vezes por semestre, a caça a uma nota eventualmente acima do devida, é, em resuma, o retorno ao modo individualista de trabalho, do salve-se quem puder, a algo que se pretende combater pela aplicação desta pedagogia.
Situações destas aconteceram no 1.º ano de Química onde está em curso um processo de luta pela anulação de uma cadeira, após ter funcionado bem à margem dos métodos pedagógicos, em que, inclusivamente durante a realização de um teste (frequência), o docente responsável salientou a insuficiência do ambiente montado (anfiteatro de Letras, um estudante em cada mesa, distanciadas umas das outras) face a exemplos exteriores (realizam-se exames no estádio Maracanã, com os estudantes à distancia mínima de 50 metros, vigiados por polícia no solo e helicópteros).
Em Engenharia Civil, vigoram em diversas cadeiras uns “regulamentos "pedagógicos“ de que se salientam a realização de testes, nomeadamente com cotações negativas (-100 a +100) em que o nível 50 representa o equivalente a uma aprovação), não podendo ser atribuída classificação final de B a quem tiver algum resultado inferior a 50 (ou equivalente). Consequência disto é a diminuição da assiduidade que já se tem verificado.
Se aparentemente este estado de coisas, comparado com o resultado global do debate generalizado de métodos pedagógicos verificado em 76 em que ficou expresso um amplo consenso em seu favor, pode causar uma certa perplexidade, não podemos desligar estas "iniciativas pedagógicas” da ofensiva geral contra as conquistas e modo de funcionamento progressista da escola. Encontrando campo de manobra favorável na passividade, inclusivamente de estudantes conscientes e responsáveis vem-se assim transformando o panorama pedagógico da escola, até se pôr tudo em causa, a pretexto da saída próxima de novos regulamentos pedagógicos.
Isto representa de facto uma transição pacífica, de uma situação, que merecia o apoio consciente da maioria da população da Escola, para o ambiente mais propício à aplicação do decreto sobre métodos pedagógicos que se espera ver publicado pelo MEIC. Se não nos dispusermos a modificar este estado de coisas, será esse ambiente de desmobilização que existirá aqui, quando essa medida sair.
Torna-se assim urgente organizar os estudantes para uma discussão que, partindo dos casos concretos de desvio, deturpação e boicote, traga ao de cima os seus objectivas fundamentais, de, pelo combate ao individualismo, pela participação crítica e activa no trabalho, contribuir para a transformação do indivíduo, colocando, desta forma, a Escola ao serviço da comunidade. Nesta prospectiva, deve-se ligar a discussão à proposta de regulamento de Métodos Pedagógicos que tem estado em distribuição, e que surge como síntese da discussão efectuada no ano passado.
É assim evidente a necessidade de criação de Comissões de Curso onde elas não existam, e do reforço das já existentes, pois é destas estruturas ligadas de perto aos estudantes que deve partir este amplo movimento pela defesa consequente da pedagogia, que constitui uma das conquistas fundamentais da Escola após o 25 de Abril.

A DIRECÇÃO DA AEFEUP

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