sábado, 18 de fevereiro de 2017

1972-02-18 - COMUNICADO DA DIRECÇÃO Nº 5 - Movimento Estudantil

COMUNICADO DA DIRECÇÃO  5

ASSOCIAÇÃO DOS ESTUDANTES DA FACULDADE DE MEDICINA
      PORTO, 17 de Fevereiro de 1972

TAMBÉM AQUI…
ESTÁ DISPOSTO A TUDO...
À quase um mês que as instalações da ASSOCIAÇÃO vinham a ser "abertas” (apenas durante um curto período do tempo) diariamente. Com o regresso do director Garret da sua viagem a Moçambique, viemos a saber pelos empregados da Secretaria que não era possível estar mais de dez minutos nas instalações da ASSOCIAÇÃO. Passados alguns dias fomos informados pele chefe da Secretaria que estávamos impedidos de ir às instalações da ASSOCIAÇÃO. Assim, e perante a falta urgente de material de estudo sobretudo, agora com a aproximação de exames semestrais e das frequências e perante o novo facto da demissão do director Garret com a subida para director interino do Prof. Abel Tavares, a Direcção da ASSOCIAÇÃO foi falar, com ele, imediatamente.

Assim, ontem, dia 17 pelas 12 horas dirigiu-se a Direcção da ASSOCIAÇÃO à Secretaria, onde nos informaram que o Prof. Abel só nos poderia receber se fosse rápido e urgente, por estar a preparar "umas coisas" para o Conselho Escolar.
—  "Uma delegação tão grande? Escusavam de vir tantos..."
Começamos por perguntar qual a posição da direcção da Faculdade perante tal recusa. O director interino que a princípio se mostrou pouco informado... (?!) perguntou ao chefe da Secretaria (presente) quais eram as ordens... do director Garret. Não o deixando terminar...
— "A minha posição é a do director Garret" "as instalações continuam fechadas, essa é a orientação da direcção da Faculdade" "os senhores abusaram vendendo lá separatas...” (eis o "crime"!!!...)
Mas havia lá dentro material de estudo (sebentas, monografias, aulas, sumários etc. —eis o corpo do delito!!) de que os estudantes estão a necessitar com urgência.
—  "Se quiserem podem ir lá buscar tudo (!!!) mas de uma vez só".
Pensaria o Prof. Abel Tavares que íamos levar todo (!!) o material (armários estantes, secretárias, mesas, cadeiras, outro material..., material de estudo) para casa??!!!
— "Mas, peçam aos rapazes da Escola Médica para vos lá guardar as publicações. Eles, talvez," vos deixem..." "pensem nisso. Eu, por mim, não me importo que sejam distribuídas as publicações na Secretaria. Há empregados que cheguem" (pelos vistos até sobram...)
Seria altura de perguntarmos: — Porque continuam as instalações do grupo Escola Médica abertas?
Porque tem ele placard próprio e carimbo próprio — liberdade de expressão ou identidade perfeita com a direcção da Faculdade? — podendo afixar o que quiser sem a chancela da Secretaria da Faculdade?
— Porque utiliza quando quer a sala anexa às instalações da ASSOCIAÇÃO, e essa sala se mantém fechada durante todo o ano, sendo negada aos estudantes como sala de convívio e de trabalho?
Qual a sua posição perante o grave acontecimento do encerramento das instalações da ASSOCIAÇÃO — duro golpe infligido aos estudantes nu ano passado pela direcção da Faculdade — será porque o grupo Escola Medica se tom mostrado anti-associativo e anti-estudantil, organismo contrário aos interesses dos estudantes, tipo MP E CUP?
No entanto as instalações da ASSOCIAÇÃO continuara fechadas. Será porque a ASSOCIAÇÃO tem vindo a defender intransigentemente os interesses dos estudantes, e é por eles gerida democraticamente?
Será que o Prof. Abel não sabe, que não temos quaisquer subsídios, pelo que o material de estudo não pode ser "distribuído” totalmente do graça. E que apesar disso e a ASSOCIAÇÃO que vem, não só, assegurando este mesmo material de estudo, como levando, também, os mais baixos preços.
Perante estas sugestòes"... qual a possibilidade do instalar um armário nos vestiários.
— "B e e m... ... Não. Isso seria pior. Isso era uma sede da ASSOCIAÇÃO aberta cá fora..." (Eureka!!!) (Dirigiu-se para a porta abrindo-a) “Saiam acabou-se…, não insistam… não me façam perder tempo..., não respondo a mais nada…"
Mas as direcções das Faculdades tem autonomia suficiente para abrir as instalações.
— "Foi essa autonomia que permitiu ao director Garret fechá-las e é essa autonomia que nos permite mantê-las encerradas" Se o Sr. Ministro der ordem, a porta abre, porque ele manda mais do que nós, mas eu saio pela outra porta...”(?!)
“... fugindo-se duna tutela de Estado, aliás indesejável, não vá cair-se numa mais indesejável oligarquia de alguns docentes, fechada aos elementos vivos que constituem uma escola superior (sobre a autonomia das Faculdades — intervenção de Agostinho Cardoso era 28/1/72 na Assembleia Nacional)
- "Saiam..." "A ASSOCIAÇÃO não existe... acabou-se"
"... Bem sabemos que as instituições universitárias são normalmente conservadoras e — tantas vezes! — reaccionárias. ... Deve esperar-se pouco da mudança da mentalidade de quem nasceu, viveu e, às vezes, entrou eu declínio, à sombra do ideias e conceitos diferentes dos actuais e principalmente, dos que nos traz o futuro" (intervenção de Miller Guerra, em 28/1/72 na Assembleia Nacional).
A Direcção da ASSOCIAÇÃO não saiu sem deixar bem clara a sua posição como legítima representante dos estudantes, fazenda notar que a ASSOCIAÇÃO não deixava de existir pele facto do Prof. Abel Tavares o dizer. Ela existe porque é o único órgão verdadeiramente representativo e defensor dos interesses dos estudantes; e como C.I. tem, existência legal.
SAIBAMOS RESPONDER POSIÇÃO DA DIRECÇÃO DA NOSSA FACULDADE COM A FORÇA DA NOSSA UNIDADE
TODOS À REUNIÃO DE COLABORADORES, hoje às 15 E 30 horas
PELA LEGALIZAÇÃO E REABERTURA DAS INSTALAÇÕES da ASSOCIAÇÃO

Porto, 18 de Fevereiro de 1972
A Direcção da ASSOCIAÇÃO

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