segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

1972-02-00 - Unidade Popular Nº 011 - PCP(ml)

O GRUPO DO "BOLCHEVISTA“, MESTRE NA PROVOCAÇÃO

Aproveitando-se por um lado da traição do partido revisionista de Álvaro Cunhal, da sua desagregação, da desmoralização dos quadros e das massas, e, por outro lado, das dificuldades que os marxistas-leninistas tiveram que vencer para reorganizar o Partido da classe operaria, a burguesia radical procura impedir que seja a classe operária a dirigir a revolução proletária de cuja inevitabilidade se apercebeu, mas que, como classe exploradora, teme, e cria grupos com que pretende recrutar operários de vanguarda e pôlos ao serviço da sua "revolução" pequeno-burguesa.
Apercebendo-se da atracão das massas pela revolução socialista, vendo o C.M.-L.P. encaminhar-se resolutamente para a reorganização do partido comunista, constatando o fracasso das organizações militaristas como a LUAR e ousa então a reclamar-se do "marxista-leninista" e "reorganizadora do partido comunista".
Surgem assim a partir da 2ª. Conferência do C.M.-L.P. que em Novembro de 1968, expulsa os elementos da burguesia radical nele infiltrados, diversos grupos "marxistas-leninistas" "reorganizadores do partido":
Todos estes grupos têm características comuns que põem imediatamente a descoberto o seu carácter anti-comunista, a sua oposição à revolução proletária.
No que respeita à sua composição eles encontram-se abertos a toda a espécie de oportunistas, desde trotskistas descarados e anti-stalinistas a elementos depravados e com baixo porte moral. Estes grupos admitem como membros, indivíduos que traíram na prisão, dejectos do revisionismo, traidores que nem mesmo os revisionistas aceitaram reintroduzir nas suas fileiras, chegando mesmo alguns a declará-lo abertamente nos seus jornais, o que, além duma auto-denuncia constitui um precioso aviso à classe operária.
Contrariamente a esta atitude, o Partido Comunista de Portugal (m-l) não abre as suas portas a elementos oportunistas nem admite como membro elementos que tenham traído na prisão e denuncia todos àqueles que em nome do marxismo-leninismo procuram recrutar operários para as suas organizações de traidores e oportunistas. Na luta contra estes grupos, o P.C.P.(m-l), e antes da sua reorganização, tem, em várias publicações, esclarecido os comunistas sobre as teorias an­ti-proletárias avançadas por estes grupos. Em contrapartida, estes grupos, que só podem viver da confusão, nunca explicitaram as suas divergências com o P.C.P(m-l).
Uma outra característica destes grupos é o seu liberalismo o seu ódio à disciplina partidária, a sua oposição aos princípios leninistas de organização, a sua incompreensão da necessidade do aparelho clandestino. Os militantes destas organizações (?) têm o orgulho de se fazer conhecer publicamente como tal, como se estivessem protegidos da repressão, dedicam-se a manobras provocatórias, como tentar transformar associações de massas em organizações partidárias onde se discute publicamente o "marxismo-leninismo" e se grita "abaixo o revisionismo", imitando assim uma táctica usual da Pide para identificar as reacções de elementos das massas, além de liquidarem a base de massas das associações e de as exporem inutilmente a uma repressão à qual sabem não poder resistir sob a ditadura fascista, só um partido que se apoie num sólido aparelho clandestino pode proteger o seu núcleo dirigente da liquidação, resistir aos golpes da Pide e garantir a continuidade da luta. Porém, os grupos oportunistas classificam este princípio leninista de "burocracia", de partido "acabado", "estereotipado”, metem no trabalho ilegal elementos queimados atirando deste modo para a prisão os operários que neles confiaram. A estes liberalismos chamam então ligação às massas.
Entre os grupos de falsos marxistas-leninistas contam-se:
"O Comunista", fundado por elementos expulsos do C.M.-L.P por defenderem concepções trotskistas e por pretenderem colocar o C.M-L.P, ao serviço dos anti-comunistas da LUAR.
"A Vanguarda", grupo de provocadores expulsos do C.M.-L.P após a 2ª Conferência, que negam a necessidade do partido da classe operária, substituindo-o por “comissões trabalhadores-estudantes” e que, tal como Cunhal, consideram a burguesia (pequena e média) como um aliado do proletariado na revolução.
Os "C.C.R.", formados pelo espontaneísta Tiago, expulso do C.M.-L.P. por delação e violação das normas do centralismo-democrático e que pretende formar um partido unicamente com intelectuais.
O "M.R.P.P.", que não passa duma nova capa do antigo dejecto do partido revisionista que era a E.D.E.
Se de todos estes grupos o P.C.P.(m-l) já denunciou o seu carácter anti-comunista e a sua falsificação dos princípios do marxismo-leninismo, o mesmo ainda não pode fazer do grupo que publica o jornal “O Bolchevista”. Este facto deve-se às enormes tarefas que os marxistas-leninistas tiveram de resolver para proclamarem o Partido Comunista. Neste artigo dado o reduzido espaço, de que dispomos daremos somente alguns elementos acerca do papel provocador do grupo dos "bolchevistas".
AS ORIGENS E O PAPEL DO GRUPO DO "BOLCHEVISTA"
Algum tempo após a 2ª Conferência, o C.M.-L.P. foi contactado por um elemento que se propunha organizar um Comité Comunista, do qual um dos objectivos seria editar um órgão teórico. Foi respondido a esse elemento que a querer integrar-se no C.M.-L.P. devia submeter-se aos princípios do centralismo-democrático, isto é, ao controle da comissão Executiva, e a que as tarefas lhe seriam designadas de acordo com as necessidades do conjunto da organização. Quanto a sua proposta para a publicação de um órgão teórico por um sector da organização distinto da direcção, foi-lho respondido que o leninismo nos ensina a necessidade da linha única, a necessidade de unificação absoluta do movimento, e a proibição da existência de fracções no seio dum partido comunista. Que o C.M.-L.P. possuía um órgão teórico, o "Estrela Vermelha", da responsabilidade da Comissão Central do C.M.-L.P. Que a criação dum outro órgão, além dum desperdício de forças, era uma concepção trotskista, significava o abandono da linha única e a autorização de facções no seio do partido comunista. Que a discussão dos problemas no seio da organização comunista, isto é, a aplicação do princípio marxista-leninista de crítica e da autocrítica não pode significar a divisão de linhas opostas ou divergentes nem a diluição do papel dirigente e unificador do órgão teórico e da direcção. Que, pelo contrário, pela aplicação do princípio da crítica e da auto-crítica tem-se por objectivo alcançar a unidade de ideias e a existência da linha única no seio da organização. Além disto, seria admitir-se a criação de Comités Comunistas semi-independentes, o que abriria de novo as portas do C.M.-L.P. aos oportunistas em geral, e em particular aos que acabara de expulsar das suas fileiras. Todas estas concepções do arsenal trotskista apesar, de já terem sido repudiadas no Estrela Vermelha nº 2, voltaram a ser frisadas como consequência da proposta deste elemento no E.V. nº 4 no artigo “Notas sobre algumas incompreensões da linha política", ponto 5.
O C.M.-L.P. nunca mais teve notícias do referido elemento. Tempos depois aparece o jornal "O Bolchevista" que se veio a saber mais tarde ser a tal publicação teórica. Vendo que as suas propostas trotskistas e liquidacionistas não eram aceites pelo C.M.-L.P., esse elemento e outros a ele ligados inicia assim um trabalho de provocação capaz do fazer concorrência às mais cínicas manobras provocatórias da Pide.
No primeiro número, o jornal "O Bolchevista" apresenta-se ora como sendo o órgão do Comité Marxista-Leninista Português, o que é uma evidente provocação, ora como sendo o órgão do Comité Marxista-Leninista de Portugal. Esta provocação iguala as da Pide, que, quando o partido, actualmente revisionista, ainda estava ligado às massas, por várias vezes publicou Avantes falsos. Pretendia assim a burguesia radical do "Bolchevista" servir-se do prestígio do C.M.-L.P. para enganar os comunistas e recrutá-los. A criação deste falso C.M.-L.P. (que depois passaram a chamar C.M.-L. de P.) faz ainda lembrar a criação do "movimento Marxista-Leninista Português", outra-sinistra provocação da Pide para localizar e liquidar os militantes marxistas-leninistas que escaparam à repressão quando das prisões em 1966.
No número seguinte continuam as suas provocações, apresentando a União dos Estudantes Comunistas (marxista-leninista) — U.E.C.(m-l) — como estando ligada ao seu grupo. Ora a U.E.C.(m-l) declara expressamente no editorial) do numero um do seu órgão, "Servir o Povo", que está directamente subordinada ao C.M.-L.P.”:, portanto nada tem a ver com o grupo oportunista do “Bolchevista” com mais esta manobra provocatória, servir-se do prestígio alcançado pela UEC junto dos estudantes para se prestigiar a si mesmo e enganar os estudantes comunistas.
No nº 3, "O Bolchevista" inicia uma nova provocação. Tendo verificado que não conseguia introduzir no suas teorias trotskistas de a cada Comité Comunista um órgão teórico, teoria que abria novamente as portas do C.M.-L P aos oportunista, procura agora do exterior reintroduzir esses elementos oportunistas novamente nas fileiras dos marxistas-leninistas. Para tal, lança um ataque ao "sectarismo e propõe a unidade de todos os grupos "marxistas-leninistas" pois que entre eles não existiam "divergências estratégicas". É natural que "O Bolchevista não tenha "divergências estratégicas" com todos esses oportunistas, trotskistas e renegados, pois todos eles representam correntes da burguesia radical, anti-marxistas e anti-leninistas retintos. "O Bolchevista procura fazer esquecer que estes grupos não são grupos marxistas-leninistas que se encontram divididos, mas sim grupos da burguesia radical que se formaram em oposição frontal à linha marxista-leninista do C.M.-L.P. donde foram expulsos muitos dos seus dirigentes. E portanto, que propor a unificação destes grupos não é mais do que procurar infiltrar o oportunismo na organização marxista-leninista, e portanto liquidá-la.
Estes apóstolos duma ultra-unidade esquecem-se do seu papel cisionista e de diversão, esquecem-se que se organizaram a parte da organização marxista-leninista que já existia ser apresentarem as razões para tal, o que mostra que o seu objectivo era dividir e confundir e não defender os princípios. Isto contraria claramente os ensinamentos de Lenine, que defende que a unidade dos comunistas, com base nos princípios é sagrada. Mas evidentemente, "O Bolchevista não" podia divulgar que criara uma organização à parte porque o C.M.-L.P. não aceitara os seus princípios trotskistas.
Uma nova provocação dos "bolchevistas" consistiu em terem publicado o “Projecto de Programa do Partido Comunista de Portugal (m-l)”, que foi aprovado pela Comissão Central do C.M.-L.P. em Março de 1970 e aprovado no Congresso Reconstitutivo após emendas. Foi publicado em Maio de 1970.
Não deixa de ser cómico ver estes oportunistas publicarem o Projecto de Programa, e ao mesmo tempo proporem a unidade de grupos que defendem linhas totalmente opostas à linha nele expressa. Vejamos um só exemplo: É sabido que um dos pontos fundamentais de demarcação entre os marxistas-leninistas e os revisionistas é a sua posição frente à pequena e média burguesia, problema que se relaciona intimamente com o da natureza da nossa revolução. Enquanto que o Projecto de Programa considera que a média burguesia é um inimigo sério da revolução, onde não é possível encontrar quaisquer sectores aliados, como pretendem os revisionistas, os "vanguardistas", grupo com quem os "bolchevistas" não têm "divergências estratégicas", vêem na "pequena e média burguesia patriótica!!) rural e urbana" um aliado do proletariado. E é este um ponto fundamental de demarcação com o revisionismo. Por aqui se pode ver como a publicação do Projecto de Programa do P.C.P.(m-1) pelos "bolchevistas", além da provocação evidente que encerra, é mais uma manobra para encobrir a sua linha pequeno-burguesa e para confundir os comunistas.
Para imporem ao movimento revolucionário o seu trotskismo recorrem sucessivamente às mais infames provocações: 1º tentam infiltrar-se no C.M.-L.P.; 2º criam um grupo a que dão o nome de C.M.-L.P. (depois C.M.-L. de P.); 3º apresentam a UEC(m-l) como ligada ao “Bolchevista"; 4º lançam a dão a sua campanha de “unificação”; 5º publicam o Projecto de Programa.
Finalmente, após a reorganização do P.C.P.(m-l), os oportunistas do “Bolchevista" que viram que os marxistas-leninistas não se deixaram seduzir pelo seu apelo à unidade "sem princípios", vêm a público com documentos em que ainda põem mais a claro as suas, concepções trotskistas. Acerca dum desses documentos afirmam que "constitui uma definição importante do conceito dialéctico de partido" e ao mesmo tempo dizem que preferiram ‘silenciar’ um trabalho tão útil como este, a prejudicar tal unificação". Então os senhores "bolchevistas" que pretendiam proclamar o partido num congresso de unificação dos grupos, e não vinha a público com o seu “conceito dialéctico de partido"? Como burla não está mal.
Quanto ao seu "conceito dialéctico de Partido" podemos ver que consta na aceitação do partido como sendo uma união de grupos distintos (dizem procurar levar as "organizações marxistas-leninistas a um 'entrelaçamento'!"), conceito nitidamente trotskista, podemos ver que continuem a não ter divergências estratégicas" com os outros grupos, podemos ver que repudiam a necessidade dura aparelho clandestino, podemos ver que se opõem à linha definida pelos marxistas-leninistas no Estrela Vermelha nº 2.
Os comunistas portugueses não permitirão que este grupo cisionista o provocador, assim como todos os outros agrupamentos da burguesia radical que se procuram fazer passar por, marxistas-leninistas, utilizem a classe operária em proveito dos seus interesses de classe exploradora.

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