domingo, 26 de fevereiro de 2017

1972-02-00 - Portugal Informação Nº 08 - FPLN

UNIDADE PARA A ACÇÃO
publicado pela comissão central de coordenação da f.p.l.n. em frança

A importância de Portugal
 (UMA PRESA DO IMPERIALISMO)
"PORTUGAL CONSTITUI UMA DAS BASES DA EUROPA E DO OCIDENTE" TRADUZ O "SÉCULO" DE 29/12 DO ANO FINDO, COM ENORME ENTUSIASMO DA REVISTA BELGA "L'EUROPEEN", QUE, NUMA LINGUAGEM NACIONAL FASCISTA, PROSSEGUE A SUA CRÓNICA REVELADORA DO MERCENÁRIO AO SERVIÇO DE UMA CAUSA COMPLETAMENTE CONDENADA PELO MUNDO DEMOCRÁTICO:
"PELA SUA SITUAÇÃO GEOGRÁFICA, PELA SITUAÇÃO DAS SUAS PROVÍNCIAS ULTRAMARINAS E PELA POLÍTICA QUE SEGUE DESDE HÁ ALGUMAS DEZENAS DE ANOS, PORTUGAL TORNOU-SE UM DOS OBJECTIVOS IMPORTANTES DESSA ESTRATÉGIA INTERNACIONAL. COM EFEITO, PORTUGAL ABRANGE UM CONJUNTO DE TERRITÓRIOS CUJA IMPORTÂNCIA É CADA VEZ MAIOR PARA O EQUILÍBRIO DE FORÇAS OCIDENTAIS, SEJA PELA SUA POSIÇÃO GEOGRÁFICA, SEJA SUAS RIQUEZAS DO SOLO E DO SUBSOLO.”
Este artigo que o "Século" apoia, mostra quanto a imprensa portuguesa procura servir interesses contrários à vida sadia de Portugal, à liberdade e à independência nacional. A importância de Portugal nunca poderá ser expressa em função do enfeudamento da sua economia às potências estrangeiras e ainda menos, no contexto do mundo moderno, na utilização da sua posição geográfica como campo entrincheirado dos exércitos imperialistas.
A corrupção das ideias dos valores de um país pode ainda influenciar os pobres de espírito e uma certa massa submetida à doutrina de uma escola nacional fascista, isolada do mundo moderno, mas não mobiliza já a maioria de um povo no falso patriotismo dos tempos idos. Compreende-se que uma casta procure ainda espalhar a confusão, adultere os conceitos na defesa dos grandes interesses privados e que procure, ao mesmo, tempo encobrir uma política de ruína e de traição que nos encaminha para uma guerra injusta contra os povos coloniais e que põe em perigo a própria segurança de Portugal.
O valor de Portugal não pode afastar-se dos valores humanos que são a base de toda a riqueza e de todo o progresso. Não é a venda dos seus territórios aos imperialistas, nem a construção de bases de guerra no seu solo que o podem valorizar, antes pelo contrário, o nosso país e o seu povo podem pagar amargamente, com a sua aniquilação o preço da aventura de uma política ao serviço de uma pequena minoria de tubarões, que chamam aos seus interesses individuais "a defesa ocidental".
Um país onde existe o maior desprezo pela massa dos trabalhadores que são obrigados a abandoná-lo para procurar melhores condições de vida no exterior; um país onde os valores intelectuais são obrigados a partir e afirmar o seu valor no estrangeiro, não pode ter a veleidade de falar do seu valor. O domínio da pequena minoria de proprietários, da burguesia corrompida, da hierarquia, clerical reaccionária aniquila as grandes possibilidades da nossa pátria que se vê relegada para a cauda de todos os países civilizados.
Portugal é bem a presa do capitalismo internacional que é preciso, no conceito imperialista, ser reduzido à miséria para ser dominado.
Os Democratas portugueses têm de tomar disto a maior consciência. O abismo em que se precipita o nosso país deve fazê-los reflectir sobre a urgência das medidas a tomar. Quanto mais tarde se tomar a verdadeira posição de combate pior será a herança legada aos verdadeiros reconstrutores de Portugal. O valor de Portugal será um facto quando repousar no trabalho construtivo de todos os democratas portugueses com amor à sua pátria e ao seu povo. Há uma grande revolução a fazer, urgente, que passando pelo descontentamento de uma classe hesitante se associa à insurreição das massas de trabalhadores para a conquista do poder para o estabelecimento de um governo democrático socialista e o estabelecimento da independência nacional.
É preciso portugueses, decisão, organização, e unidade na acção. Em frente, pelo derrubamento do fascismo para valorizar Portugal.
"No território continental existe a base alemã de Beja e proliferam bases e estabelecimentos da NATO, nos arredores de Lisboa, em Ovar e noutros pontos. O Quartel General do Comiberlant, em Oeiras, e as instalações do Pinhal do Arneiro, na Caparica, tomaram-se bem conhecidos ao serem alvos de acções revolucionárias que traduzem os sentimentos anti-imperialistas do povo português.”
A base americana das Lajes e as bases e estabelecimentos da NATO espalhados pelo País são pontos de apoio da política de agressão do imperialismo contra os países socialistas e os povos em luta pela sua emancipação nacional e social. Ao permitir a sua existência em território nacional, o governo da ditadura fascista, ao mesmo tempo que agrava a dominação estrangeira sobre o nosso país, envolve Portugal nas intrigas e aventuras do imperialismo contra a paz mundial e a liberdade dos povos e sujeita o povo português aos riscos de uma tal política."

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